Refugiados inflam Alemanha enquanto crescem ataques racistas

País se preocupa com o aumento e ameaças e ataques contra albergues de refugiados

Berlim – A Alemanha observa com preocupação o aumento de ameaças e ataques contra albergues de refugiados enquanto o governo, estados federados e municípios debatem como acolher os milhares de solicitantes de asilo que chegam a cada dia, hospedados temporariamente em casinhas pré-fabricadas e tendas de campanha.

Segundo informou a polícia nesta segunda-feira, está sendo investigado um suposto atentado contra um político do partido A Esquerda na cidade de Freital (leste do país), depois que na madrugada passada ocorreu uma explosão em seu carro, estacionado junto a seu domicílio.

A polícia se limitou a dizer que investiga em todas as direções, mas A Esquerda tachou o ataque a seu companheiro, Michael Richter, que tinha recebido ameaças de morte por organizar atos a favor dos refugiados, de “racista”.

“Não podemos deixar as ruas e nem a liderança de opinião aos que propagam abertamente o ódio”, ressaltou Richter.

Freital, cidade de apenas 40 mil habitantes no estado oriental da Saxônia, apareceu nas últimas semanas nos meios de comunicação nacionais pelos protestos xenófobos contra a decisão municipal de transformar um antigo hotel em centro de amparo.

A apenas 12 quilômetros está Dresden, a capital da Saxônia, palco na sexta-feira de distúrbios quando duas centenas de pessoas foram à concentração organizada pelo partido ultradireitista alemão NPD diante de um campo de tendas de campanha levantado para acolher temporariamente 1,1 mil solicitantes de asilo.

Pouco antes de ser revelado o ataque contra Richter, o porta-voz do Ministério alemão de Interior, Tobias Plate, ressaltou a “grande preocupação” do governo federal perante a escalada dos ataques contra albergues de refugiados, em torno de 200 em 2015 frente aos 170 que foram registrados em 2014.

Perante esta situação, o presidente do sindicato da Polícia, Rainer Wendt, propôs uma medida excepcional: proibir as manifestações e concentrações em pelo menos um quilômetro em torno dos lugares nos quais estão hospedados os solicitantes de asilo.

“As pessoas que fogem da perseguição têm direito a não ter de olhar na cara dos que atiram pedras”, disse Wendt ao jornal “Saarbrücker Zeitung”.

O campo provisório de tendas de campanha levantado em Dresden, administrado pela Cruz Vermelha, se une às casinhas pré-fabricadas planejadas em Hamburgo e às inúmeras iniciativas de outros municípios, que reabilitam rapidamente escolas e hospitais em desuso para evitar que milhares de pessoas durmam nas ruas.

O ministro do Interior da Saxônia, Holger Stahlknecht, chegou a solicitar neste fim de semana ajuda logística ao Exército, que já aloja 3,5 mil refugiados em oito quartéis.

Os últimos pedidos das autoridades regionais e locais de mais fundos não encontraram por enquanto resposta no governo federal, que hoje lembrou que no mês passado acordou com os “Länder” dobrar o orçamento destinado neste ano ao amparo, até 1 bilhão de euros.

Em 2014, a Alemanha registrou mais de 200 mil novos pedidos de asilo e a Agência Federal para a Migração e os Refugiados disse que o número dobrará neste ano.

Segundo seus últimos dados, no primeiro semestre foram apresentadas 159.927 solicitações.

A Agência, reforçada com 650 novos trabalhadores, acelerou a resolução dos expedientes e está dando prioridade às solicitações de cidadãos dos Bálcãs, com praticamente nulas possibilidades de conseguir proteção na Alemanha, para evitar que bloqueiem os que chegam fugindo da perseguição e da guerra.

A maioria das solicitações do primeiro semestre são de sírios (32.472), seguidos pelos kosovares (31.400) e albaneses (22.209). Enquanto isso, mais de 85% dos primeiros recebem algum tipo de proteção e a taxa se situa entre 0,3% e 0,4% nos outros dois casos.

No ano passado, o Executivo alemão reformou a lei de asilo para classificar Bósnia, Macedônia e Sérvia como “países de origem seguros”, sem ameaça de perseguição política, e vários líderes regionais pediram que seja feito o mesmo com a Albânia, Kosovo e Montenegro para agilizar as expulsões.

O presidente da Federação de Municípios, Gerd Landsberg, propôs além disso hoje em declarações ao “Die Welt” exigir visto aos cidadãos dos Bálcãs Ocidentais.

O visto é ainda obrigatório para os kosovares e os números mostram a pouca efetividade que teria esta medida, por isso que o governo federal ratificou sua aposta pelas campanhas informativas que são realizadas nesses países para explicar que, quem entrar irregularmente, será expulso.