Reforma da Previdência de Bush pode fracassar, diz Tendências

<EM>Mas Bush, fiel;</EM><SPAN><EM>à</EM>;</SPAN><EM> sua conhecida persistência política, vai visitar senadores democratas considerados mais propensos a apoiar o projeto. Eles disputam</EM><SPAN>;<EM>a </EM></SPAN><EM>reeleição em 2006 em bases eleitorais

Mesmo considerando a capacidade do presidente dos Estados Unidos de encampar medidas com pouca chance inicial de aprovação, é pouco provável que George W. Bush passe no Congresso sua proposta de reforma da Previdência. A opinião é de Christopher Garman, analista da consultoria Tendências. O principal motivo seria a inédita união dos deputados e senadores democratas contra a reforma, além de vacilação política dos próprios republicanos. O sistema defendido por Bush prevê o direcionamento de 4% da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento para contas individuais em bancos comerciais. Segundo números da Casa Branca, seriam necessários 754 bilhões de dólares nos próximos dez anos para financiar a transição de sistemas.

As possibilidades de aprovação, diz Garman, só melhoram se o cenário de política externa (leia-se sucesso no Iraque) melhorar a popularidade do governo, hoje abaixo de 50%, e se a estratégia de marketing da reforma combinar agressividade e habilidade. “O eleitorado idoso mobiliza-se para votar no dia da eleição muito mais que o jovem”, afirma Garman. “Por isso, a questão da Previdência Social representa um dos assuntos intocáveis na política americana. Dentro do próprio Partido Republicano existe um temor razoavelmente grande”, diz. Assim, só um posicionamento público de Bush “muito forte” pode fazer avançar o que aparenta ser a prioridade da agenda doméstica de seu segundo mandato. Além da necessidade de elevar a frequência dos discursos sobre o assunto, será preciso que o presidente venda a idéia de que a Previdência Social nos Estados Unidos ruma para o colapso.

Entre os democratas circula a avaliação de que a reforma de Bush reduz os benefícios previdenciários de parte dos trabalhadores com menos de 55 anos e aumenta o déficit fiscal (leia artigo exclusivo sobre o desequilíbrio das contas americanas). O The Wall Street Journal desta sexta-feira (4/2) dá uma idéia da estratégia republicana de cooptação de democratas. O presidente Bush iniciou uma campanha-relâmpago de dois dias em que visitará cinco estados representados por senadores democratas considerados mais propensos a apoiar o projeto de reforma da previdência. Os políticos que serão visitados são tidos como moderados, e disputam a reeleição de 2006 em estados onde Bush venceu com facilidade o pleito presidencial do ano passado.