Referendo na Catalunha: independência unilateral a caminho?

ÀS SETE - Mesmo após um domingo sangrento, cerca de dois milhões de pessoas votaram pela independência, ante 176 mil contrários à ideia

Após um domingo sangrento, a Catalunha terá uma segunda-feira de renovadas tensões políticas e sociais. A região a nordeste da Espanha foi às urnas neste domingo em um referendo organizado localmente, pedindo por independência.

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Até a noite deste domingo, com 91% de todos votos apurados, cerca de 2,02 milhões de pessoas votaram pela independência, ante 176.565 contrários à ideia.

Estima-se que cerca de 770.000 votos tenham sido perdidos por fechamento dos locais de votação e apreensões de urnas realizadas pela polícia espanhola. Cerca de 40% dos eleitores catalães foram às urnas.

O resultado deve ser encaminhado ao parlamento da Catalunha nos próximos dias e deve virar uma declaração de independência unilateral, conforme afirmou o presidente catalão, Carles Puigdemont. Ele chegou a sinalizar que o parlamento deve declarar independência unilateral em 48 horas.

A pressa é estimulada pela violência. Mais de 840 pessoas ficaram feridas em confrontos com a polícia enviada pelo governo de Madri, que usou balas de borracha e cassetetes contra os eleitores. O referendo é considerado ilegal pelo governo espanhol.

A independência total é uma pauta antiga na Catalunha, e chegou a ser votada em outro referendo, em 2014. Uma declaração unilateral de independência poderia levar o governo do primeiro ministro Mariano Rajoy, um conservador do Partido Popular, a retirar o status de autonomia da região, precipitando uma crise política na Espanha.

A Catalunha tem um sistema político com força para os membros dos principais cargos políticos, bem como sua própria polícia, além de sistemas de saúde e educação — para Rajoy e sua base não há porque exitar em retirar esses privilégios da região.

Ele já convocou uma reunião com todos os partidos nesta segunda-feira para discutir a situação da Catalunha. Sindicatos catalães preparam greves a partir desta terça-feira.

Para a Espanha, a Catalunha é importante pois representa o maior PIB regional do país, de 211 bilhões de euros no ano passado. A região é fortemente industrializada e também teve um dos maiores crescimentos econômicos na Espanha em 2016, de 3,5%.

A União Europeia teme que movimentos separatistas em outros países, como os escoceses no Reino Unido e os flamengos na Bélgica, usem o exemplo da Catalunha para forçar suas próprias pautas separatistas.

Em pronunciamento no domingo, Rajoy afirmou que “não houve um referendo de autodeterminação da Catalunha” e que as forças de segurança “cumpriram com sua obrigação e com o mandado que tinham da Justiça”.

Enquanto a Espanha, e a Europa, fecharem os olhos para a demanda de regiões que clamam por mais autonomia, a tensão só vai aumentar.

Comentários

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  1. Piero Christofer

    …para Rajoy e sua base não há porque exitar (???) em retirar esses privilégios da região…
    O correto é “hesitar”.
    Abraço!