Rebeldes sírios dizem preferir cessar-fogo permanente

A declaração veio em resposta ao mediador internacional Lakhdar Brahimi, que propôs uma trégua temporária

Cairo – A oposição armada síria se mostrou a favor de um cessar-fogo permanente no país nesta quarta-feira depois que o mediador internacional Lakhdar Brahimi propôs uma trégua temporária por causa do “Eid al-Adha”, a festa muçulmana do Sacrifício, que começará no próximo dia 26 de outubro.

“Nós não rejeitamos e nem aceitamos a trégua de Brahimi porque ainda não fomos comunicados sobre essa iniciativa de forma oficial, assim como não fomos informados sobre suas garantias e mecanismos”, afirmou à agência Efe o “número dois” do ELS, Malek Kurdi, que dirige as facções de seu grupo em Idlib e Alepo.

O dirigente rebelde destacou que o ELS “está de acordo com um cessar-fogo permanente para assegurar as reivindicações do povo sírio e também a renúncia do regime do presidente Bashar Al Assad”.

Segundo Kurdi, existem muitas dúvidas sobre a aplicação dessa suposta trégua temporária por parte do regime de Damasco. Para o “número dois” do ELS, essa trégua “é a última oportunidade que a comunidade internacional oferece ao regime, que, por sua vez, quer acabar com a revolução com mortes e assassinatos”.

Kurdi ressaltou que o “Eid al-Adha” já não é uma festa para os sírios, porque, “apesar de haver um cessar-fogo, a única coisa que os sírios vão fazer será visitar os túmulos de seus mártires”.


Além de exaltar suas dúvidas em torno dessa trégua temporária, Kurdi também advertiu que Damasco “costuma aproveitar estas tréguas para aumentar suas ofensivas violentas”. “O regime considera que qualquer iniciativa de trégua é uma autorização para mais assassinatos”, afirmou Kurdi, que assegurou que os ataques seguem intensos em Idlib, Alepo, Homs e na periferia de Damasco.

A aceitação da trégua por parte dos rebeldes sírios também se mostra ambígua, já que há diferentes grupos e ideologias entre os diferentes grupos que compõem o ELS.

Nesse sentido, o porta-voz do ELS e de outras facções do grupo em províncias como Homs, Fahd Al Masri, declarou à Agência Efe que rejeita essa trégua temporária a não ser se a mesma permitir a chegada de ajuda médica e alimentícia às zonas mais castigadas pelo conflito.

A proposta de trégua temporária foi lançada por Brahimi durante sua estadia no Irã. Em viagem por vários países da região, o mediador internacional para a Síria deverá visitar o Líbano hoje.

Ontem, o Governo de Damasco expressou seu “compromisso” com as iniciativas dos mediadores internacionais, em alusão à proposta de Brahimi.