Rebeldes acusam coalizão de violar cessar-fogo no Iêmen

O porta-voz rebelde acrescentou que "os Comitês Populares (milicianos houthis) cumprem (o cessar-fogo) ao pé da letra"

Sana – O movimento rebelde dos houthis acusou a coalizão árabe, liderada pela Arábia Saudita, de violar o cessar-fogo que entrou em vigor ontem ao meio-dia no Iêmen, e advertiu que responderá “com força”.

“Os países da agressão e seus mercenários não cumpriram, em absoluto, a cessação de hostilidades pedida pela ONU”, disse ontem à noite o porta-voz do exército iemenita leal aos houthis, coronel Sharaf Luqman.

O porta-voz rebelde acrescentou que “os Comitês Populares (milicianos houthis) cumprem (o cessar-fogo) ao pé da letra”, segundo a agência oficial Saba.

No entanto, fontes da Resistência Popular, a milícia leal ao presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi, disseram ontem à Agência Efe que os rebeldes tinham bombardeado suas posições em várias províncias.

No meio destas acusações cruzadas, Luqman denunciou que as forças da aliança árabe mantêm “uma grave escalada (militar) por terra, mar e ar em diferentes partes do Iêmen”.

Ele citou por exemplo bombardeios contra posições houthis na província petrolífera de Marib, e uma ofensiva terrestre contra a cidade de Hard, próxima à fronteira noroeste do Iêmen com a Arábia Saudita.

Segundo o porta-voz houthi, embarcações de guerra dessa aliança militar bombardearam também a cidade de Al Lahia, no litoral do Mar Vermelho, e a aviação saudita não interrompeu seus ataques ontem.

“Não permaneceremos de braços cruzados. Responderemos com força às violações cometida pelos países da coalizão agressora e seus mercenários”, concluiu Luqman.

Desde o início do conflito foram decretadas duas tréguas humanitárias, mas ambas fracassaram.

Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu compromisso e boa vontade das partes do conflito no Iêmen e disse confiar que possam chegar a uma solução diplomática nas negociações que acontecem na Suíça.

O governo iemenita e os rebeldes houthis e seus parceiros começaram ontem uma nova rodada de negociações sob mediação da ONU, com o objetivo de terminar com uma guerra que já matou mais de seis mil pessoas e que deixou 80% da população dependendo de ajuda humanitária para sobreviver.