Reatores de Fukushima alcançaram ‘parada fria’, diz governo japonês

A central de Fukushima Daiichi é o epicentro da pior crise nuclear desde a de Chernobyl, há 25 anos

Tóquio – O governo do Japão confirmou nesta sexta-feira que os três reatores nucleares da central de Fukushima danificados pelo tsunami de março alcançaram uma ‘parada fria’, ou seja, são mantidos estáveis abaixo de 100 graus centígrados.

Segundo a agência local Kyodo, o Executivo confirmou esse fato durante uma reunião que contou com a participação do primeiro-ministro Yoshihiko Noda, que deve fazer um anúncio formal às 7h (de Brasília).

Durante o encontro, Noda e outras autoridades do Gabinete aprovaram um relatório do comitê responsável pela gestão da crise nuclear, no qual detalha que a temperatura do combustível no interior dos reatores está abaixo de 100 graus centígrados.

A definição do estado de ‘parada fria’ utilizada pela Tepco, operadora da central, indica ainda que as emissões de radioatividade foram reduzidas de forma substancial no perímetro da usina, a cerca de 1 milisievert anual.

Na reunião, Noda assinalou que a ‘parada fria’ é mais um passo em direção à resolução do acidente, mas disse que é preciso seguir trabalhando para manter as condições de segurança na central e avançar rumo a sua desativação.

Durante o encontro foi formada uma comissão especial integrada por membros do governo e da Tepco para adotar medidas a médio e longo prazo.

A estabilização dos reatores permite dar por concluída a segunda fase prevista para solucionar a crise e iniciar a terceira, que inclui extensos trabalhos de limpeza em torno da danificada central, incluindo a zona de exclusão em um raio de 20 quilômetros.

Também é um passo imprescindível antes de considerar a volta dos mais de 80 mil evacuados nessa zona, que por enquanto desconhecem se poderão voltar a suas casas em questão de meses ou anos.

A central de Fukushima Daiichi é o epicentro da pior crise nuclear desde a de Chernobyl, há 25 anos.

Os sistemas de resfriamento da usina ficaram paralisados pelo devastador tsunami que arrasou o nordeste do Japão em 11 de março, e desde então milhares de operários, bombeiros, militares e pessoal terceirizado trabalham em suas instalações para conter a crise.