Raúl Castro inicia processo de demissões em meio a temores

Governo cubano acredita que a eliminação de cerca de um milhão de empregos dos 4,2 milhões existentes em empresas e instituições estatais, dará maior produtividade e eficiência à economia, o que no futuro pode aumentar os salários

São Paulo – O governo de Cuba inicia na segunda-feira um processo de seis meses para demitir 500.000 trabalhadores excedentes do Estado, o que deve gerar muitas dificuldades na transferência dos desempregados para um incipiente setor privado.

“A cessação trabalhista de muitos será um processo de readaptação que terá uma dificuldade especial”, afirmou o cardeal Jaime Ortega, que admitiu as preocupações, além de um “pouco de expectativa”.

No entanto, o religioso também considerou que as mudanças do governo são “positivas”.

Para tentar acalmar as inquietações, o jornal oficial Granma admitiu que alguns núcleos familiares podem ser afetados durante a aplicação da medida, mas destacou que ao lado deles “estará a revolução humanista, avaliando e propondo soluções, de acordo com as possibilidades reais”.

O governo de Raúl Castro acredita que a eliminação de pouco mais de um milhão de empregos – 500.000 deles entre outubro e março de 2011 – dos 4,2 milhões existentes em empresas e instituições estatais, dará maior produtividade e eficiência à economia, o que no futuro pode aumentar os salários.

Segundo o governo ditatorial, 465.000 dos demitidos serão absorvidos pelo setor não estatal. Licenças serão concedidas para pequenos negócios, que passarão a pagar impostos.

Para promover também as médias empresas, não apenas as pequenas, o governo também autorizou a livre contratação de trabalhadores – antes permitida apenas aos familiares -, que também será taxada.

As medidas foram recebidas por muitos cubanos como opção de emprego e a chance de melhorar de vida, já que o Estado paga 20 dólares de salário mensal, mas outros estão pessimistas com o peso do pagamento de tributos e a falta de acesso ao crédito, que ainda está sendo avaliado pelo Banco Central.

Para tentar reduzir as inquietações, milhares de assembleias foram celebradas na última semana na ilha: os Comitês de Defesa da Revolução (CDR) e a Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC, única) tentaram explicar a necessidade da medida.

Os demitidos receberão um mês de salário como compensação e aqueles que não conseguirem entrar no setor privado 60%, segundo o tempo de serviço, com um teto de até cinco meses para aqueles com mais de 30 anos de trabalho.

Leia mais sobre economia

Acompanhe as notícias de Mundo do site EXAME no twitter