Rajoy diz que governo espanhol ‘não negocia com terroristas’

Rajoy fez esta afirmação em discurso pronunciado durante uma homenagem a Miguel Ángel Blanco

Bilbao (Espanha) – O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, garantiu nesta terça-feira que seu Executivo ”não negociará nunca com terroristas” nem cederá a ”nenhum tipo de chantagem dos que praticaram e encorajaram o terror”.

Rajoy fez esta afirmação em discurso pronunciado durante uma homenagem a Miguel Ángel Blanco, um jovem vereador do Partido Popular (PP) no País Basco assassinado pela ETA há 15 anos.

O presidente do governo espanhol disse, entre aplausos dos presentes, que negociar ”é aproximar a razão do outro e a ETA não tem nenhuma razão”.

A morte do jovem vereador do PP no País Basco comoveu a sociedade espanhola que reivindicou em grandes manifestações nas principais cidades do país o fim da violência da ETA.

”A paz não se negocia e a liberdade não se pechincha”, afirmou Rajoy, qualificando os militantes bascos de seu partido de ”referência” para todos os espanhóis.

Rajoy pediu ainda que ”nunca” se esqueça a memória” de Miguel Ángel Blanco e de todas as vítimas do terrorismo e disse que ”a união dos democratas continua sendo a melhor maneira” de honrá-las e de ”expatriar para sempre o terrorismo e sua ambição totalitária do País Basco e de toda a Espanha”.

Segundo o chefe do Executivo espanhol, ”a reta final de tantas décadas de crimes” não permitirão que ”ninguém falseie a história criminosa da ETA”.

O ato em homenagem a Miguel Ángel Blanco acontece poucas semanas antes da realização das eleições regionais no País Basco, convocadas junto com as da Galícia, para o próximo dia 21 de outubro.

Na atualidade o Partido Socialista Basco, liderado por Patxi López, governa o País Basco após ter sido apoiado em 2009 pelo PP, que recentemente retirou seu respaldo.

Nestas eleições poderá concorrer a coalizão independentista Bildu. Nos pleitos anteriores as formações próximas ao entorno da ETA não puderam apresentar-se.

As eleições acontecerão um dia depois do primeiro aniversário do anúncio da ETA que abandonava a violência.