Quem será o vice de Trump?

O empresário Donald Trump será confirmado como o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos na convenção do partido, que acontecerá entre 18 e 21 de julho em Cleveland, no Meio-Oeste do país. A vitória surpreendente de Trump, além do desempenho inesperado do socialista Bernie Sanders na disputa dos democratas, fez da campanha de 2016 uma das mais agitadas e imprevisíveis da história americana — e ainda faltam cinco meses até a votação que escolherá o sucessor de Barack Obama. A novela da candidatura Trump ainda tem vários capítulos pela frente, e o tema do próximo já está definido: quem será o candidato a vice em sua chapa?

“Nosso candidato será Trump”, disse o influente senador republicano Trent Lott ao The Wall Street Journal. “Agora estamos pensando: ‘Meu Deus do céu, de quem precisamos para vice?” A única certeza em relação a Trump é o cabelo escovado — todo o resto é uma grande incógnita. Ele pode tomar o caminho aparentemente óbvio de escolher um nome com experiência administrativa, já que Trump é o antipolítico, ou então alguém versado em assuntos internacionais, dada a importância da política externa para o ocupante da Casa Branca.

Trump também pode optar por uma mulher, numa tentativa de atenuar a misoginia que ele não se esforçou nem um pouco em esconder durante as primárias. E ele pode preferir um político negro ou latino; afinal de contas, Hillary Clinton tem grande vantagem entre os eleitores das minorias americanas. Mas Trump é Trump: nada impede que seu companheiro de chapa seja um nome completamente inesperado, distante da política tradicional de Washington.

Com tantos possíveis caminhos, as especulações envolvem dezenas de nomes. Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara, foi um dos primeiros nomes de peso do Partido Republicano que apoiaram Trump. Gingrich tem fama de ser desbocado como o empresário, e seu histórico no Congresso certamente ajudaria Trump a aprovar suas propostas no Legislativo. O senador Jeff Sessions, embora menos conhecido, é o principal assessor do empresário para política externa e é um dos formuladores das polêmicas propostas de imigração de Trump.

O vice também pode ser um dos derrotados nas primárias. O nome mais comentado é o do ex-governador de New Jersey, Chris Christie. Depois de abandonar a corrida, Christie foi o primeiro grande nome nacional entre os republicanos a endossar Trump. John Kasich, o último a desistir das primárias, é outro nome ventilado. Embora seus assessores neguem de pés juntos que o governador de Ohio aceite ser companheiro de chapa de Trump, sua indicação seria um golpe de mestre: Kasich é moderado e tem uma grande base de apoio no Meio-Oeste americano, onde há vários estados com muito peso no colégio eleitoral.

O senador da Flórida Marco Rubio foi quem mais diretamente atacou Trump durante as primárias e já afirmou que suas “reservas e preocupações” em relação a Trump seguem as mesmas. Mas Rubio é latino, e a Flórida é um dos estados-chave na eleição presidencial. Já Ted Cruz, o nome de maior destaque a ser varrido pelo furacão Trump, se mantém em silêncio. Se Cruz aceitasse o posto de vice, Trump contaria com o apoio de uma facção republicana cada vez mais influente, composta de evangélicos e ultraconservadores. A propósito, Ben Carson, outro candidato derrotado nas primárias, faz parte do grupo que ajuda Trump a formar sua chapa.

Mary Fallin, governadora de Oklahoma, já disse que aceitaria o posto de vice, assim como a ex-governadora do Arizona Jan Brewer. Susana Martinez, governadora do Novo México, seria matar dois coelhos com uma cajadada só: mulher e latina. Mas Martinez ainda não se manifestou sobre o assunto. Assim como suas colegas governadoras, ela tem pouca projeção nacional. Nikki Haley, governadora da Carolina do Sul, é outro nome que aparece na mídia — mas ela apoiou Marco Rubio e fez duras críticas a Trump nas primárias.

O anúncio deve ser feito no começo de julho. Muitos nomes fazem questão de se distanciar das especulações. (“É como comprar uma passagem do Titanic”, disse o senador Lindsey Graham ao The New York Times sobre a ideia de ser companheiro de chapa do empresário.) Outros se apresentam publicamente, nem que seja para ganhar projeção nacional. Até mesmo o apresentador de TV Joe Scarborough (que já foi deputado), próximo de Trump, é considerado uma possibilidade real — afinal de contas, Trump ganhou fama nacional demitindo participantes de seu reality show O Aprendiz. O show tem de continuar.

(Sérgio Teixeira Jr., de Nova York)