Quem é Boko Haram, grupo que sequestrou centenas na Nigéria

Grupo extremista já sequestrou mais de 200 garotas no norte do país; eles dizem lutar contra o Ocidente para impor a lei islâmica no país

São Paulo – Mais um capítulo de terror começou na Nigéria em meados de abril, no norte do país, quando centenas de garotas, entre 16 e 18 anos, foram sequestradas de uma só vez.

Os autores do ataque não são um mistério: Boko Haram, um grupo radical islâmico que luta para impor a sharia (lei islâmica) em toda a Nigéria – eles já conseguiram o feito no norte do país.

276 estudantes foram levadas em caminhões no dia 14 de abril. Ontem (6), mais 11 foram sequestradas em um novo ataque.

53 delas conseguiram escapar e relataram a horrível experiência. Segundo elas, as vítimas estão sendo estupradas pelo grupo e vendidas como escravas sexuais.

De acordo com alguns parentes das vítimas, as meninas estão sendo vendidas como noivas a militantes do grupo por cerca de 12 dólares. 

A polícia local já chegou a oferecer o equivalente a 669 mil reais de recompensa a quem fornecesse informações sobre o paradeiro das centenas de meninas sequestradas.

O líder do grupo é Abubakar Shekau, que apareceu em um vídeo dizendo ser o autor dos sequestros. 

Shekau disse que sequestrou as garotas para evitar que recebessem uma educação ocidental. “Eu sequestrei as suas meninas. Eu as venderei no mercado, por Alá!”, disse.

“Há um mercado para vender humanos. Alá me disse que eu deveria vender. Ele me colocou no comando para vender. Eu venderei mulheres. Garotas, vocês devem vir e se casar”, disse

O perfil Voice of Africa no Twitter publicou uma imagem com o nome de todas as vítimas. 

O Boko Haram

Boko Haram significa, na língua local, “a educação não islâmica é pecado”.

A milícia radical surgiu em 2002. Começou como uma seita fundada no meio da juventude frustrada de Maiduguri, por Mohammed Yusuf.

Ele dizia que a cultura cristã era a culpada de todos os males do país e que era preciso estabelecer a sharia para livrar a sociedade dos vícios.

Também falavam em combater a corrupção e o abandono promovido pelos governantes locais.

Aos poucos, a seita se transformou em grupo armado – recebeu treinamento e apoio da Al Qaeda do Magreb e outras grupos radicais africanos, como o Al Shabab.

Os Estados Unidos declararam oficialmente o grupo como uma organização terrorista mundial – que precisa ser combatida – em novembro de 2013.

O grupo coopta jovens chamados de “almajirai” – descritos como jovens sem instrução e que estão decepcionados com a negligência do governo.

A fase totalmente radical do Boko Haram começou em 2009, depois de Mohammed Yousef ser morto pela polícia nigeriana durante um confronto.

Pelos cálculos da Anistia Internacional, cerca de 2300 pessoas já morreram por causa do conflito. Foram 1500 mortes somente entre janeiro e março de 2014. 

Por ser o país mais populoso da África – e um dos mais populosos do mundo, com 170 milhões de habitantes – e um cenário de diferentes tribos e religiões,

A Nigéria é um terreno fértil para grupos desse tipo. É um país muito populoso, com 170 milhões de habitantes, mas muito dividido por tribos e religões distintas. Depois, é o país mais rico da África – dependente da extração de petróleo – mas tem 62% da população na extrema pobreza.

Os ataques do grupo – e a retaliação da polícia – se concentram no norte do país, região mais desértica e onde já predomina o islamismo.

As táticas incluem ataques com homens-bomba, ataques a escolas e assassinatos com armas. Atualmente, o grupo controla a região norte e promove, desde janeiro, praticamente um atentado por dia.

Políticos locais também são acusados de colaborar com o Boko Haram, tentando ganhar a simpatia e proteção do grupo.