Queda do dólar não gerará crise financeira nos Estados Unidos

Estudo do Federal Reserve contraria os temores do mercado e afirma que o crescimento americano está relacionado ao declínio da taxa de câmbio

A desvalorização do dólar frente a outras moedas, como o euro, não provocará uma crise financeira nos Estados Unidos. Pelo contrário: é mais provável que o dólar fraco estimule o crescimento do país, segundo um estudo do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Isto porque o dólar fraco incentivaria as exportações americanas e desestimularia as importações.

A pesquisa do Fed baseia-se na análise de 23 episódios em que países desenvolvidos apresentaram uma combinação de elevado déficit comercial e moeda depreciada. A análise desses período levou à conclusão de que “quanto maior é a queda da moeda, maior é o crescimento econômico” (clique aqui para acessar a íntegra do estudo do Fed – versão em inglês).

O estudo é uma resposta do Fed a uma parcela crescente dos analistas, que teme os efeitos da depreciação do câmbio sobre a economia do país. No ano passado, o déficit comercial americano atingiu 600 bilhões de dólares, ou cerca de 5% do Produto Interno Bruto do país. De acordo com o americano The Wall Street Journal, esse rombo foi coberto pelo governo com a emissão de títulos públicos. Diversos economistas temem, agora, que a contínua queda do dólar leve os investidores a rejeitarem os papéis americanos. A rejeição derrubaria ainda mais a cotação da moeda do país, forçaria uma alta acentuada dos juros e colocaria a economia em rota de recessão.

O Fed defende, porém, que não há evidências concretas que relacionem a queda do câmbio a uma possível crise financeira. Os dados levantados pelo estudo conduzem justamente à conclusão oposta a de que a depreciação do dólar está “positivamente relacionada” ao desenvolvimento econômico. De acordo com o documento, “a expansão econômica conduz à queda da cotação da moeda e vice-versa”.