Queda do déficit público ajuda pouco balança comercial dos EUA

Estudo do Federal Reserve contraria a visão de que o combate ao rombo no orçamento americano poderia conter também o déficit comercial

Os déficits gêmeos dos Estados Unidos o do orçamento e o da balança comercial têm menos ligação do que se imagina. Por isso, combater o rombo nas contas públicas ajudará pouco na redução do déficit americano com os parceiros comerciais. A conclusão é de um estudo do Federal Reserve (Fed), o banco central do país, que contradiz a corrente econômica que ganhou força nos últimos meses dentro e fora dos Estados Unidos.

De acordo com o Fed, a relação é mais fraca do que se supõe. Para cada dólar de aumento no déficit orçamentário, o déficit comercial cresce menos de 20 centavos. Por isso, o banco afirma que enxugar os gastos públicos “é um instrumento duvidoso para a redução das perdas da balança comercial, mesmo que o combate ao déficit orçamentário seja desejável sob outros aspectos”.

O mercado estima que o déficit comercial americano atingiu uma cifra recorde de mais de 600 bilhões de dólares no ano passado, o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, de acordo com o americano The Wall Street Journal. Já o buraco no orçamento bateu em 412 bilhões de dólares no ano passado, cerca de 3,6% do PIB.

Muitos economistas e países que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos acreditam que a redução desse rombo é um atalho para aliviar as pressões sobre o dólar e a balança comercial. Esse grupo argumenta que o desequilíbrio orçamentário representa uma falta de poupança interna dos Estados Unidos, que precisa ser compensada por recursos emprestados de outros países para sustentar o atual nível de consumo e investimento americano. A administração Bush, porém, alega que o déficit comercial está muito mais ligado às baixas taxas de crescimento mundial do que a problemas da economia americana.

O estudo do Fed reconhece que há um vínculo entre os dois rombos, mas observa que a ligação é muito menos estreita do que se supõe. A razão é que o corte de impostos promovido por Bush e os elevados gastos governamentais estimulam os americanos a consumir, sobretudo, produtos fabricados no próprio país. A pesquisa também concluiu que, com o aumento gradual das taxas de juros, o setor privado passa a investir menos e reduz a demanda por insumos importados.