Putin promete “resposta simétrica” a teste de míssil dos Estados Unidos

Teste americano confirmou o fim do tratado de desarmamento que proibia o uso por parte da Rússia e dos EUA de mísseis com alcance de 500 a 5.500 quilômetros

São Paulo — O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu nesta sexta-feira uma “resposta simétrica” ao recente teste por parte dos Estados Unidos de um míssil de alcance médio, o primeiro executado pelo país desde a Guerra Fria.

“Ordeno os ministérios russos da Defesa e das Relações Exteriores que examinem o nível da ameaça para nosso país pelos atos dos Estados Unidos, e que sejam adotadas medidas exaustivas para preparar uma resposta simétrica”, declarou Putin, em uma reunião do Conselho de Segurança.

Na mesma reunião, o vice-embaixador russo, Dmitri Polyanskiy, culpou os Estados Unidos pelo fracasso do tratado russo-americano e advertiu sobre os riscos de surgir nova corrida armamentista, que não poderia ser controlada ou regulamentada.

Jonathan Cohen, embaixador em exercício dos Estados Unidos, disse que a Rússia havia violado deliberadamente o tratado e deslocado múltiplos mísseis de cruzeiro terrestre.

O teste americano, executado no domingo perto da ilha de San Nicolas, na costa da Califórnia, confirmou o fim do tratado de desarmamento INF, que proibia o uso por parte da Rússia e dos Estados Unidos de mísseis terrestres com alcance 500 a 5.500 quilômetros.

O tratado foi oficialmente suspenso há menos de um mês pelas duas potências rivais, que trocaram acusações de violação do pacto.

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Acrescentou que os Estados Unidos estão tomando as medidas necessárias para lidar com a ameaça imposta pelas forças de mísseis de alcance intermediário, que estão sendo posicionadas em números ainda maiores pela Rússia e a China.

Izumi Nakamitsu, subsecretária-geral e alta representante das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento, afirmou que o fim do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário não deveria ser o catalisador de uma nova e constrangedora competição de desenvolvimento, aquisição e proliferação de mísseis.

Nakamitsu disse ainda que evitar o surgimento e a disseminação de armas desestabilizadoras continua sendo uma tarefa vital, sem fim, para a comunidade internacional. Ela pediu novas abordagens multilaterais que tenham força legal internacionalmente.

Rússia e China condenaram de forma imediata o teste americano, denunciando o risco de uma “escalada das tensões militares” e de uma retomada da corrida armamentista.