Putin é o alvo dos EUA nas sanções contra bilionário

Obama mirou no presidente com as sanções a um bilionário do petróleo e alegações teria interesse direto em sua empresa

Genebra/Londres – O presidente Barack Obama mirou em Vladimir Putin com as sanções a um bilionário russo do petróleo e as alegações de que o presidente russo tem um interesse financeiro direto em sua empresa de operação de energia.

As sanções mais amplas de hoje marcaram uma escalada das iniciativas para punir Putin e seus associados pelas ações da Rússia na Crimeia. O negociante de petróleo — um dos fundadores da Gunvor Group Ltd., Gennady Timchenko — foi um dos 20 novos indivíduos incluídos em medidas para proibi-los de entrar nos EUA, para congelar todos os seus ativos no país e impedi-los de fazer negócios com empresas americanas.

Com uma rende de US$ 93 bilhões em 2012, a Gunvor é uma das maiores operadoras de commodities do mundo, empregando mais de 1.600 pessoas e explorando petróleo em mais de 35 países. Timchenko, 61, e o bilionário Torbjörn Törnqvist criaram a empresa, que opera em Genebra, no ano 2000 para lidar com as remessas russas de petróleo.

Apesar de a Gunvor ter dito que Timchenko vendeu toda a sua participação para o sócio Törnqvist anteontem, a ação dos EUA pode fazer com que os bancos e as empresas e operadoras de petróleo fiquem relutantes em fazer negócios com a Gunvor, afetando bilhões de dólares em contratos físicos e derivativos.

“As atividades de Timchenko no setor energético têm estado ligadas diretamente a Putin”, disse o Departamento do Tesouro dos EUA em uma declaração de ontem. “Putin tem investimentos na Gunvor e pode ter acesso aos fundos da Gunvor”.

Impacto potencial

A Gunvor disse que Putin nunca teve nenhuma propriedade, por usufruto ou outro tipo, na empresa. O operador disse que a venda da participação de Timchenko foi realizada anteontem, antes das sanções, para garantir que as operações não sejam interrompidas. Os termos da transação não foram divulgados.

Funcionários do Tesouro disseram que a Gunvor escapou das sanções devido à “regra dos 50 por cento” que aplica as sanções a uma empresa se seu proprietário tiver mais da metade das ações. A propriedade de Timchenko era inferior a 50 por cento.


“Os EUA deram o primeiro passo em termos de sanções contra a Rússia relacionadas ao petróleo”, disse por e-mail Olivier Jakob, diretor administrativo da empresa de pesquisa Petromatrix GmbH, com sede em Zug, Suíça. “Os mercados petroleiros até agora desconsideraram a crise ucraniana, mas isso está começando a mudar o panorama”.

As sanções vão “dificultar a vida deles porque as pessoas podem não querer fazer negócios com eles, achando que as transações financeiras possam ser limitadas”, disse Michael Lynch, presidente da Strategic Energy Economic Research, em Winchester, Massachusetts. “Pode ser que isso não acabe com eles, mas prejudicará seus negócios de modo significativo”.

‘Riscos perigosos’

A Gunvor ainda estava comercializando produtos do petróleo ontem e vendeu um carregamento de diesel, de acordo com quatro operadores que monitoraram os preços de referência da Platts.

Obama disse ontem que a entrada da Rússia na Ucrânia e os incessantes movimentos militares implicam “riscos perigosos de intensificação” e devem ser tratados por uma oposição global e unificada.

A ação de Obama contra os 20 indivíduos, incluindo membros do governo russo e aliados de Putin, aumenta a lista de sete oficiais russos de alto escalão e quatro pessoas da Ucrânia que já tinham sido submetidos às sanções.

Dmitry Peskov, porta-voz de Putin, não quis comentar as alegações do Tesouro quando foi contactado por telefone.

Due dilligence

Seth Pietras, porta-voz da Gunvor, disse que bancos dos EUA, incluindo o Goldman Sachs Group Inc., realizaram uma investigação meticulosa da estrutura de propriedade da empresa como parte da emissão de um título de US$ 500 milhões no ano passado.

“Se você quer a due dilligence em nossa propriedade, observe nossos prospectos de títulos que foram realizados também por um banco dos EUA”, disse Pietras por telefone.

Além do Goldman, os outros bancos que participaram do financiamento foram Credit Suisse Group AG, ING Groep NV e Société Générale SA.