Putin constrói as bases de um “novo governo” — com ele no comando

ÀS SETE - O presidente russo deve ser eleito neste próximo domingo pela 4ª vez, com 69,7% dos votos

Cerca de 110 milhões de eleitores devem ir às urnas na Rússia neste domingo para votar nas eleições presidenciais. O resultado, alerta de spoiler, é que o presidente Vladimir Putin deve ser eleito pela quarta vez, com a imensa maioria dos votos.

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As chances de as urnas mostrarem algo diferente são muito baixas, já que Putin lidera as pesquisas com 69,7% dos votos — o segundo colocado, um executivo chamado Pavel Grudinin, do Partido Comunista, tem apenas 7,1% das intenções de voto.

Ao barrar o principal político da oposição de competir nas eleições, Alexei Navalny, o Kremlin conseguiu impedir a criação de um desafiante de peso e garantir Putin como o virtual candidato único em uma eleição que conta com outros sete nomes.

Se Putin for realmente eleito, ele permanece no comando da Rússia até 2024, mais um mandato de 6 anos, quando terá de deixar o cargo por regras que impedem uma terceira reeleição consecutiva.

Em teoria. Na prática, na última vez que ele foi impedido de ser presidente, acabou se tornando primeiro ministro, comandando de perto o governo do então presidente Dmitry Medvedev, entre 2008 e 2012.

Ele foi eleito pela primeira vez em 2000 e de acordo com informações do centro de pesquisa russo Levada, sua taxa de aprovação em novembro ainda era de 81%.

Com Putin mantendo-se ou não no poder depois de 2024 (quando terá alcançado a idade de 71 anos), analistas e a elite política acreditam que o próximo termo presidencial deve ser marcado como o início de uma transição para uma Rússia pós-Putin.

Em seu discurso à União, realizado no dia 1º de março, Putin falou de maneira recorrente sobre o “governo futuro” ou o “novo governo”, tocando em questões domésticas e econômicas de maneira bastante ampla e sem muito aprofundamento.

Putin tem se dedicado muito mais às questões internacionais e à segurança, lidando com outros líderes globais, de Donald Trump a Xi Jinping, passando por Kim Jong-Un e Shinzo Abe.

A relação da Rússia com o Ocidente voltou a ser um sinal de alerta — escancarado pela tentativa de assassinato do ex-espião Sergei Skripal no Reino Unido no início do mês.

Em casa, Putin já tem uma nova leva de tecnocratas cuidando de seu legado: novos políticos que ele apoiou em regiões estratégicas do país — Anton Alikhanov, por exemplo, se tornou em 2016 o mais jovem chefe de província na história do país.

Esses nomes são jovens, conectados e muito leais a Putin. A Rússia vai seguir, um dia, sem Putin, mas seu plano é que ela siga nos trilhos que ele deixar.