Putin aprova proibir americanos de adotar crianças russas

O presidente russo considerou "apropriada" a decisão da Duma (câmara baixa do Parlamento)

Moscou – O presidente Vladimir Putin considerou nesta quinta-feira “apropriada” a decisão da Duma (câmara baixa do Parlamento) de proibir os americanos de adotar crianças russas.

“É uma resposta emocional da Duma, mas acredito que é apropriada”, afirmou o presidente russo durante a primeira grande entrevista coletiva desde que retornou ao Kremlin para o terceiro mandato.

A Duma aprovou na quarta-feira em segunda leitura uma proposta de lei que proíbe a adoção de crianças russas por americanos, em resposta a sanções previstas contra a Rússia adotadas recentemente pelo Congresso dos Estados Unidos.

Os deputados aprovaram por 400 votos contra quatro o texto emendado da proposta, que também prevê sanções contra qualquer pessoa estrangeira culpada de atentar contra os direitos de cidadãos russos, e medidas contra ONGs com financiamento americano.

O texto ainda deve ser adotado em terceira leitura e pela câmara alta, uma etapa geralmente formal.

Segundo o projeto de lei, está proibido aos americanos adotar crianças russas e se põe fim à atividade das agências que organizam estas adoções.

Esta lei foi chamada informalmente de “projeto de lei Dima Iakovlev”, nome de um menino russo de dois anos, morto por insolação em 2008 depois que seu pai adotivo o esqueceu em um carro em pleno verão.

O pai foi absolvido da acusação de homicídio culposo por um tribunal americano, o que provocou a ira de Moscou.

Além disso, as relações entre as duas potências ficaram mais tensas nas últimas semanas.

No início de dezembro, o Congresso americano aprovou sanções contra os funcionários russos envolvidos na morte do jurista Serguei Magnitski em 2009.

Magnitski foi detido depois de ter acusado policiais e agentes do fisco de desviar fundos e lavar dinheiro. Morreu em detenção aos 37 anos, vítima da violência e sem receber cuidados médicos.

Putin criticou a lei Magnitski, que chamou de “ato não amistoso” e citou os “muitos problemas” sobre os direitos humanos nos Estados Unidos.