Provas na casa de Nisman foram preservadas, diz secretário

O secretário de Segurança da Argentina disse que foram tomadas todas as precauções para preservar as provas na casa do promotor Alberto Nisman

Buenos Aires – O secretário de Segurança da Argentina, Sergio Berni, afirmou nesta terça-feira que foram tomadas todas as precauções para preservar as possíveis provas na casa do promotor Alberto Nisman, após a polêmica provocada por sua presença no lugar antes de a promotora responsável pelo caso e o juiz chegassem.

“Os primeiros que entraram foram a mãe com um assessor de Nisman, da Polícia Federal. Quando viram que a porta do banho estava aberta, com luz, o policial tentou entrar, mas não pôde, já que o corpo a travava. Não entrei no banheiro, nem deixei que ninguém entrasse”, disse Berni em declarações ao canal de televisão “Todo Noticias”.

O secretário relatou que se dirigiu ao domicílio de Nisman quando recebeu o aviso e que chegou lá, no exclusivo bairro portenho de Puerto Madero, “junto com o juiz, não mais de um minuto ou dois” antes, embora a procuradora tenha chegado mais tarde.

“A preocupação da mãe era obviamente o que estava acontecendo no banheiro, que ninguém sabia, e porque resguardamos tudo o que havia na sala, onde Nisman estava trabalhando”, sustentou Berni.

Mas ele acrescentou que há uma parte confusa dos eventos, já que também houve um médico da privada Swiss Medical no local, chamado antes de Berni chegar.

“A principal testemunha foi a mãe. Não sabemos se o médico de Swiss Medical entrou no banheiro, é confuso. O médico disse que viu uma pistola e a mãe não”, apontou.

Berni também afirmou que sua “preocupação mais importante é que atrás da porta havia uma pessoa que obviamente todos supunham ser Nisman, que não sabíamos sequer se estava vivo ou não”.

De acordo com a versão do secretário, a entrada no banheiro onde o corpo foi finalmente encontrado aconteceu com a presença da promotora, do juiz e dos peritos.

“Mostrei à mãe que tinha disposto a custódia para que absolutamente ninguém entrasse no lugar. Depois esperamos a promotora. Pedi a ela e ao juiz que estivessem presentes para dar mais transparência para a mãe, que tinha medo de que documentos sumissem”, acrescentou.

“Eu não entrei no banheiro. A promotora me convidou eu olhei só pela porta porque não queria intervir no local onde se constatou a morte e que começaria a perícia”, especificou Berni.

“Falemos de suicídio quando já estavam descartados outros tipos, como homicídio. A promotora tem uma responsabilidade muito grande. Vemos que está trabalhando muito e é preciso ajudá-la a fazer todas as perícias que necessitar”, acrescentou.

A atuação do secretário foialvo de críticas da oposição. A deputada da conservadora Proposta Republicana (Pró) Patricia Bullrich anunciou hoje que pedirá que Berni compareça no Congresso para relatar o sucedido.

“Pedi um relatório, quero que o responda de maneira detalhada e vou convocar a comissão”, declarou Bullrich, que ressaltou que seu objetivo é avaliar porque o funcionário “num impulso conduziu desta maneira”.

“O secretário de Segurança é secretário de Segurança, não é promotor nem investigador”, asseverou a deputada.