Protestos no Sudão deixam cinco manifestantes mortos

Quatro mortos foram registrados em Omburman, cidade vizinha à capital, Cartum, e outra vítima levou um tiro no peito na cidade de Atbara

Pelo menos cinco manifestantes morreram em protestos maciços celebrados neste domingo (30) no Sudão para exigir dos militares a entrega do poder aos civis, anunciou um comitê de médicos vinculado à oposição.

Quatro mortos foram registrados em Omburman, cidade vizinha à capital, Cartum, e outra vítima levou um tiro no peito na cidade de Atbara (centro), informou o comitê no Twitter, sem da detalhes sobre as circunstâncias das mortes em Omdurman.

A oposição sudanesa havia convocado para este domingo dezenas de milhares de manifestantes para caminhar até o palácio presidencial em Cartum, depois que a polícia usou gás lacrimogêneo contra a multidão.

Os opositores multiplicaram os protestos em diversas cidades, incluindo a capital, enquanto no exterior são reforçados os pedidos de prudência para evitar um novo massacre como o do início do mês.

A manifestação deste domingo foi a maior desde 3 de junho, quando os militares dispersaram um acampamento diante do quartel-general do exército, com um balanço de dezenas de mortos.

A Aliança para a Liberdade e a Mudança (ALC), que lidera os protestos, convocou uma grande manifestação para exigir uma transferência de poder aos civis.

Em três bairros de Cartum, Bari, Arkaweit e Al Mamura, a polícia usou gás lacrimogêneo contra os militantes que gritavam “Poder Civil”, afirmaram testemunhas.

As forças de segurança também reprimiram os manifestantes na cidade de Gadaref, leste do país.

“Convocamos nosso povo revolucionário na capital para que siga até o palácio para exigir justiça para os mártires e que o poder seja entregue de imediato aos civis, sem condições”, afirmou a Associação de Profissionais Sudaneses (SPA), que integra a ALC.

A marca do “milhão” poderia ser um teste para comprovar a capacidade de mobilização dos organizadores do movimento. Mas também para o Conselho Militar de Transição, que comanda o país desde que o exército destituiu e prendeu em 11 de abril o presidente Omar al-Bashir.

As autoridades bloqueiam há várias semanas a internet, uma ferramenta estratégica para mobilizar os manifestantes desde o início do inédito movimento de protesto no Sudão em 19 de dezembro de 2018.