A crueldade animal que vem oculta no café de quase R$ 1000

Café de luxo, o Kopi Luwak é feito a partir de sementes ingeridas e excretadas por civetas, que vivem confinados e submetidos a uma dieta debilitante no sudeste asiático

São Paulo – Quanto custa um café cuja produção guarda traços de crueldade animal? Em média, o quilo sai por 400 dólares nos Estados Unidos, ou cerca de 910 reais. Não à toa, o Kopi Luwak – que é feito a partir de sementes ingeridas e excretadas por pequenos mamíferos do sudeste asiático chamados de civetas – é dono da fama de café mais caro do mundo. Apreciadores argumentam que a passagem das sementes pelo trato digestivo dos civetas, confere um sabor suave e caramelizado ao café.

Mas por trás da fama, encontra-se uma dura realidade, que envolve confinamentos e uma dieta debilitante. As Filipinas e a Indonésia concentram a maior parte da produção do Kopi Luwak, cujos métodos têm sido, há tempos, alvo de ataque de ambientalistas e grupos de defesa dos animais, como o Peta. Um estudo recente feito pela Ong levou três grandes hotéis de luxo de Hong-Kong a riscarem do menu a oferta dessa bebida.

Ao longo de um mês, ativistas do Peta visitaram fazendas produtoras do café e constataram as condições debilitantes às quais os animais são submetidos – e que nem sempre são perceptíveis aos olhos de um turista ocasional. Para fazer o café, conforme relato da Ong, os civetas “são arrancados de seus abrigos na natureza e aprisionados em minúsculas gaiolas sujas. Eles costumam ficar loucos do estresse no confinamento. Privados de nutrição adequada e confinados em gaiolas de arame, os animais muitas vezes perdem sua pele”, diz o texto.

Uma filmagem secreta de algumas fazendas mostra os civetas doentes que sofrem de infecções e apresentam sinais de zoochosis, uma condição em que os animais de cativeiro andam, sem parar, em círculos dentro de suas gaiolas, balançando a cabeça freneticamente. Em estado selvagem, os civetes sobem em árvores para alcançar as bagas de café e escolher o que vai comer, mas em cativeiro, eles são alimentados apenas com fruto maduro numa intensidade que jamais iriam comer naturalmente, levando a deficiências nutricionais.

Em 2011, o jornal britânico The Gurdian visitou uma loja de café na ilha de Sumatra, onde um civeta fêmea era mantido em uma jaula apertada na parte de trás das instalações. Sua prole de dois jovens foram separados dela. Outras 20 gaiolas estavam dispostas sobre telhado da loja, longe dos olhos do visitante comum. Em geral, os animais mantidos enjaulados por um período máximo de três anos, antes de serem liberados de volta para a vida selvagem. Neste retorno, nem todos sobrevivem.