Procurador especial diz que novas denúncias contra Trump são imprecisas

O presidente americano, Donald Trump, teria instruído seu ex-advogado, Michael Cohen, a mentir para o Congresso em 2017

O relatório explosivo do site BuzzFeed News afirmando que o presidente americano, Donald Trump, ordenou a seu advogado Michael Cohen que mentisse ao Congresso em 2017 é impreciso, avaliou na noite de sexta-feira o procurador especial Robert Mueller.

“A descrição do BuzzFeed de declarações específicas ao gabinete do procurador especial e a caracterização de documentos e depoimentos obtidos por este escritório sobre o testemunho ao Congresso de Michael Cohen são imprecisos”, declarou Peter Carr, porta-voz do procurador especial.

A declaração foi motivo de comemoração por parte do presidente, que retuitou os defensores que criticaram o BuzzFeed e depois escreveu que era “um dia muito triste para o jornalismo, mas um grande dia para o nosso país!”.

O site BuzzFeed publicou que, de acordo com fontes anônimas das forças de segurança federais, Trump teria dito a Michael Cohen para mentir em uma audiência do Congresso em 2017 sobre as negociações para construir uma Torre Trump em Moscou durante o campanha presidencial de 2016.

A investigação sobre a interferência da Rússia na eleição de 2016 e o possível pacto entre a campanha Trump e Moscou é objeto de artigos frequentes. Mas é extremamente raro, se não sem precedentes, que se emita uma declaração como esta.

Trump também tuitou na sexta-feira para dizer que Cohen “mente para reduzir sua pena de prisão”.

Já o advogado do presidente, Rudy Giuliani, avaliou que a acusação contida no relatório do BuzzFeed é “categoricamente falsa”, em uma nota enviada a vários jornalistas na Casa Banca, enquanto o porta-voz da presidência Hogan Gidley qualificou a informação de “ridícula”.

“Qualquer sugestão, de qualquer fonte, de que o presidente aconselhou Michael Cohen a mentir é categoricamente falsa. Michael Cohen é um criminoso condenado e um mentiroso”, disse Giuliani em declaração reproduzida pela repórter do New York Times Maggie Haberman.

“As afirmações de hoje são apenas mais mentiras inventadas nascidas da malícia e do desespero de Michael Cohen”, declarou Giuliani.

Democratas prometem investigar

A oposição democrata dos Estados Unidos prometeu na sexta-feira investigar uma nova acusação.

“A acusação de que o presidente dos Estados Unidos poderia ter estimulado perjúrio ante nossa comissão para limitar a investigação e esconder seus negócios com a Rússia é um dos mais sérios até agora”, tuitou o parlamentar Adam Schiff, que preside o comitê de Inteligência na Câmara dos Representantes.

“Se este artigo sobre Trump que leva ao falso testemunho for confirmado, ele terá cometido um delito grave e precisará se demitir ou ser destituído”, avaliou o senador democrata Jeff Merkley.

Cohen, que era o braço direito do presidente na Organização Trump, se declarou culpado no ano passado por violar as leis de financiamento de campanha, providenciando pagamento a duas mulheres que afirmavam ter laços amorosos com Trump para mantê-las em silêncio.

O advogado de 52 anos, de Nova York, foi condenado a três anos de prisão por múltiplos crimes, incluindo evasão fiscal e contribuições ilegais de campanha.

Sua transferência para a prisão foi adiada enquanto ajudava nas investigações sobre o possível conluio da equipe de campanha de Trump com a Rússia.

Em 7 de fevereiro, ele deverá testemunhar ante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados sobre seu trabalho com Trump.