Primeiro-ministro da França apresenta renúncia

O primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayrault, apresentou sua renúncia e a de seu governo ao presidente François Hollande

Paris – O primeiro-ministro da França, o socialista Jean-Marc Ayrault, apresentou nesta segunda-feira sua renúncia e a de seu governo ao presidente François Hollande.

Seu anúncio, confirmado em um breve comunicado, vem à tona após uma histórica derrota do Partido Socialista (PS) nas eleições municipais francesas, realizadas ontem, e depois de uma reunião durante duas horas com Hollande, que prepara uma iminente mudança de governo.

O favorito para ser seu substituto à frente do novo Executivo é o atual ministro do Interior, Manuel Valls, tendo em vista que o presidente francês deve oficializar essa nomeação durante um discurso televisivo ainda nesta noite.

Após a ampla derrota do PS nas eleições locais, Ayrault, de 64 anos, disse que o resultado correspondia a uma responsabilidade coletiva, mas que assumia “toda” sua culpa.

O ainda primeiro-ministro, que chegou ao posto em maio de 2012 após a vitória de Hollande nas eleições presidenciais diante de Nicolas Sarkozy, viu sua popularidade cair desde então, assim como o próprio presidente.

Uma recente pesquisa, elaborada pelo instituto BVA para a revista “L”Express”, mostra que a aceitação de Ayrault entre os franceses gira em torno de 25%, um ponto menos que o registrado no mês de fevereiro.

Por outro lado, Valls, de 51 anos, é um dos políticos mais populares da França (53%). No entanto, o titular de Interior, situado politicamente na ala mais à direita do PS, não agrada os Verdes, que participam da coalizão de governo e não descartam a possibilidade de sair caso Valls assuma o controle do Executivo, como apontou na última semana a ecologista e ministra da Habitação, Cécile Duflot.

As eleições municipais, realizadas em dois turnos – ontem e no domingo anterior -, estiveram marcadas por uma abstenção recorde, algo próximo de 36,3%.

Os resultados do pleito se mostraram muito negativo para a esquerda, mas muito propício para centro-direita, que recuperou o terreno perdido em 2008, e para os ultradireitistas da Frente Nacional (FN).

A centro-direita, segundo dados ainda provisórios do Ministério do Interior, conseguiu 45,1% dos votos, mais que a esquerda (40,5%), a extrema direita (6,85%) e a extrema esquerda (0,06%).