Pressões de extremistas e americanos desafiam novo rei árabe

Assumindo o trono após a morte de seu meio-irmão Fahd, rei Abdullah terá que se equilibrar entre sua política externa pró-Ocidente e grupos de extremistas islâmicos

Ao assumir o trono, após a morte de seu meio-irmão Fahd, o novo rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz al Saud, terá que se equilibrar entre sua política externa pró-Ocidente e as pressões dos grupos internos, divididos entre os que reivindicam maior democracia e os extremistas islâmicos, que querem transformar o país em um foco de resistência contra os Estados Unidos. Para a revista britânica The Economist, no curto prazo, haverá poucas mudanças na vida política do país, mas os desafios tenderão a crescer com o tempo.

Há vários anos, o rei Fahd sofria de problemas de saúde. Na prática, Abdullah já governava o país desde 1995, quando seu meio-irmão sofreu uma embolia cerebral. Agora, oficializado no trono, o primeiro problema de Abdullah será lidar com as pressões dos Estados Unidos para que a Arábia e os demais aliados no Oriente Médio adotem um sistema político cada vez mais democrático.

Alguns passos foram dados pelo país desde 1993, quando o rei Fahd comandou a criação da Shura, uma espécie de órgão de aconselhamento do trono. Sucessivas ampliações aumentaram a Shura para 150 membros, após Abdullah assumir o comando da Arábia em 1995. O conselho não é deliberativo e seus integrantes não são eleitos. Mas estão crescendo as discussões sobre outras mudanças profundas pelas quais a Shura poderá passar.

No começo deste ano, foram realizadas, pela primeira vez, eleições para as câmaras municipais. Apenas metade das cadeiras foram postas em disputa e somente os homens votaram, mas assistiram-se a verdadeiras campanhas eleitorais. A maior parte das cadeiras foi ocupada por religiosos conservadores.

Os conservadores islâmicos, aliás, são outro problema para Abdullah. Enquanto os reformistas afirmam que a flexibilização do regime é o primeiro passo para que a Arábia torne-se realmente um país democrático, os extremistas muçulmanos querem levar o país para a outra direção.

O temor de uma guinada radical aumenta com os recentes ataques suicidas no Iraque, cometidos muitas vezes por sauditas. Há o risco de que os sauditas radicais que sobreviveram aos conflitos no Iraque e no Afeganistão retornem para seu país e engrossem as fileiras islâmicas.

Segundo The Economist, o último desafio é que o rei Abdullah pode descobrir que não é tão poderoso quanto pensa. O comando do país será disputado por outros príncipes árabes, como seu meio-irmão Sultan.