Presidente peruano recusa renúncia por suspeita no caso Odebrecht

Políticos pressionam saída, após uma comissão revelar ele que a Odebrecht pagou cerca de US$ 780 mil a uma consultoria aberta pelo presidente

Lima – O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, se recusou a renunciar ontem, apesar da crescente pressão que vem sofrendo por suposto envolvimento com o escândalo de corrupção da construtora Odebrecht.

Políticos de todas as vertentes apelaram a Kuczynski que deixe o cargo, após uma comissão investigativa peruana revelar, na quarta-feira, que recebeu documentos da Odebrecht mostrando que a empresa brasileira pagou cerca de US$ 780 mil entre 2004 e 2007 a uma consultoria aberta pelo presidente e da qual ele era o único diretor.

Em parte do período dos pagamentos, Kuczynski atuou como ministro da Economia ou primeiro-ministro. Há meses, o presidente alega não ter contatos com a Odebrecht.

Em pronunciamento à TV na quinta-feira à noite, Kuczynski confirmou ser dono da consultoria, a Westfield Capital, mas afirmou que não esteve envolvido em sua administração enquanto serviu no governo. Segundo ele, um sócio na consultoria assinou os contratos com a Odebrecht no período mencionado.

“Não vou abdicar de minha honra, de meus valores ou de minhas responsabilidades como presidente de todos os peruanos”, declarou Kuczynski. “Não vou correr. Não vou me esconder. Não tenho motivos para isso”, acrescentou.

Kuczynski, de 79 anos, foi eleito presidente em 2016, depois de uma carreira empresarial bem-sucedida, em parte por ter prometido endurecer o combate à corrupção.

Num acordo fechado com o Departamento de Justiça dos EUA, a Odebrecht reconheceu no ano passado ter distribuído propinas de quase US$ 800 milhões, a maior parte do montante na América Latina, para garantir contratos de estrutura.

Desse total, US$ 29 milhões foram pagos no Peru ao longo de três governos, entre 2005 e 2014. No Peru, a Odebrecht construiu canais de irrigação e outras grandes obras.