Presidente italiano renuncia e abre caminho para sucessor

Giorgio Napolitano renunciou após garantir por quase uma década a estabilidade política na Itália, abrindo caminho para uma fase de incertezas

Roma – O presidente italiano, Giorgio Napolitano, renunciou nesta quarta-feira após garantir por quase uma década a estabilidade política na Itália, abrindo caminho para uma fase de incertezas.

A carta de renúncia foi apresentada à presidente da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini, que convocará uma reunião conjunta com o Senado e os representantes das 20 regiões para a eleição de seu sucessor.

O Parlamento italiano, em sessão conjunta, deverá no prazo de 15 dias se reunir para eleger um sucessor para Napolitano, que renunciou ao cargo devido à idade.

Napolitano, que completará 90 anos, anunciou sua decisão em uma mensagem à nação no final do ano.

A renúncia do presidente, veterano militante anti-fascista, foi antecipada na terça-feira pelo chefe de Governo, Matteo Renzi, perante o Parlamento Europeu, onde ele elogiou sua carreira.

O cargo será preenchido de forma temporária pelo presidente do Senado, Pietro Grasso.

A escolha do sucessor de Napolitano se anuncia difícil já que a direita e a esquerda, aparentemente, falharam em chegar a um acordo sobre um candidato de consenso.

O candidato ao cargo mais importante e estável do país, com mandato de sete anos, é, tradicionalmente uma personalidade acima dos partidos e uma figura que garante o equilíbrio da vida política, porque é a única pessoa que tem direito de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.

Fase delicada

“Trata-se de una fase delicada e difícil para a Itália”, reconheceu Renzi, que delineou as características do futuro chefe de Estado: “Deve ser um árbitro equilibrado e sábio”.

As votações para a escolha do sucessor de Napolitano serão secretas.

A eleição presidencial é um momento muito solene para a nação dado que a função de presidente, em uma democracia de caráter parlamentar, geralmente ocupado por um mediador político.

As votações também são particularmente delicadas e forçam o primeiro-ministro Renzi a medir sua força política.

Entre os nomes mais cotados ao cargo estão o de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, Carlo Padoan, ministro da Economia, Roberto Pinotti, ministro da Defesa, e Walter Veltroni, ex-prefeito de Roma.

O nome de Romano Prodi, duas vezes primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia, foi proposto por alguns setores do Partido Democrata, apesar da derrota humilhante de 2013, pela traição de 101 parlamentares de seu próprio partido.

No total, 1.009 “grandes eleitores” –630 deputados, 315 senadores, 5 senadores vitalícios e 58 representantes de 20 regiões– serão convocados para a eleição do sucessor de Napolitano.

Renzi, que espera que seu candidato seja eleito na 4ª votação, quando é necessária uma maioria simples de 505 votos e não de dois terços como nas primeiras três rodadas.