Presidente do Haiti critica desigualdade social na Rio+20

“Estou chefiando um país devastado”, disse o presidente, cujo país é considerado o mais pobre das Américas e ainda sofre de desastres naturais

Rio de Janeiro – O presidente do Haiti, Michel Martelly, alertou hoje (21) para o efeito corrosivo da desigualdade social, que, para ele, é “a patologia da época atual”. Ao participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, Martelly fez um rápido balanço de suas ações e lembrou que o Haiti ainda sofre as consequências do terremoto de janeiro de 2010.

“Estou chefiando um país devastado”, disse o presidente do Haiti, que considerado o país mais pobre das Américas e tem a situação econômica agravada pelos desastres naturais e transtornos sociais provocados por grupos criminosos organizados. Para ele, são questões relacionadas à desigualdade social. “A desigualdade social tem um efeito corrosivo. É a patologia da nossa época.”

Segundo Martelly, são diversos os desafios dos chefes de Estado e de Governo, entre eles a erradicação da pobreza e a reinvenção de um modelo de desenvolvimento sustentável.

Sem tradição do reflorestamento e sofrendo com as mudanças climáticas, que provocam períodos de seca e chuva, o Haiti tem pouco mais de 1% do seu território com florestas. Martelly admitiu que é necessário mudar a forma de pensar e viver da sociedade haitiana. Segundo ele, desenvolvimento sustentável exige sociedades mais educadas e com boa saúde e um processo que traga equidade.

Ao assumir o governo no ano passado, Martelly disse que seu principal desafio era reconstruir o Haiti, devastado pelo terremoto de 2010, no qual cerca de 220 mil pessoas morreram e que deixou muitas famílias sem abrigo, vivendo de forma improvisada. A situação se agravou ainda mais com o período da chuva e a contaminação de cólera no país.