Preocupação com petróleo será tônica de reuniões do FMI e do Bird

<EM>Impacto dos preços de petróleo sobre o produto global não é linear. Acima de determinado ponto;</EM><SPAN><EM>que</EM>;</SPAN><EM>"ninguém sabe qual", diz The Economist, as cotações começam a causar estragos cada vez maiores</EM>

No próximo fim de semana, os chefes de bancos centrais e ministros de finanças de diversos países, inclusive do Brasil, encontram-se em Washington para reuniões do Banco Mundial (Bird) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo reportagem da revista The Economist, no topo da lista de preocupações estará o temor de que os altos preços de petróleo empurrem a economia mundial para um período atribulado.

O medo é compreensível, diz a reportagem. Apesar das quedas recentes, os preços ainda estão 70% acima dos praticados há dois anos, em termos reais. É verdade que não se pode comparar a situação atual às crises do petróleo. Em 1974, os preços saltaram 185%. Na passagem de 1978 para 1979, a alta real foi de 158%. Mas de qualquer forma a escalada atual é expressiva.

Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, indicou recentemente a trajetória das cotações de petróleo como um risco “indesejado” para o crescimento econômico global. Em um comentário que lembra os anos 70, diz The Economist, Trichet conclamou os consumidores a economizar energia. Os europeus têm motivos de sobra para estarem receosos, desde o desemprego alto até perspectivas de crescimento pífio em 2005 (1,6% na zona do euro, diz o FMI). O outro “elo frágil” da economia mundial, o Japão, “ainda não retornou à vida”. Nos dois casos, petróleo caro não é exatamente uma ajuda.

O impacto da alta do petróleo foi calculado pelo FMI. De 0,8 ponto percentual de queda do crescimento econômico mundial em 2005, um terço é culpa do petróleo. “Essa projeção foi baseada em preços um pouco menores do que os atuais”, diz a revista. Mas o que preocupa é que, segundo economistas, o impacto dos preços de petróleo sobre o produto global não é linear. Ou seja, acima de determinado ponto, “ninguém sabe qual”, as cotações começam a causar estragos cada vez maiores.