Premiê japonês dissolve Câmara e marca eleições

A dissolução da câmara baixa - a mais poderosa das duas câmaras parlamentares - coloca em disputa seus 480 assentos, cuja decisão ocorrerá nas eleições de 16 de dezembro

Tóquio – O primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, dissolveu a câmara baixa nesta sexta-feira, dando início a uma campanha eleitoral de quatro semanas, que promete ser uma difícil batalha para o grupo político do premiê, o Partido Democrático do Japão (PDJ). As eleições foram marcadas para 16 de dezembro. Se o PDJ, considerado da centro-esquerda japonesa, for derrotado nas eleições, o país terá seu sétimo primeiro-ministro em seis anos e meio. O Partido Liberal Democrático (PLD), da oposição de centro-direita, está mais bem posicionado para capturar os votos do eleitorado. A campanha eleitoral abrirá oficialmente em 4 de dezembro, mas os políticos dos dois partidos já começaram a disputar os votos.

A dissolução da câmara baixa – a mais poderosa das duas câmaras parlamentares – coloca em disputa seus 480 assentos, cuja decisão ocorrerá nas eleições de 16 de dezembro. O partido que tiver a maioria na câmara baixa controlará o governo, com o seu líder assumindo o posto de primeiro-ministro. O ex-primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe, líder do PLD, é um dos nomes mais cotados para assumir o posto de Noda.

Essa eleição contará com um novo partido – O Partido do Sol Nascente, fundado pelo conservador ex-governador de Tóquio, Shintaro Ishihara. O ex-governador da capital tenta convencer o prefeito de Osaka, Toru Hashimoto, a realizar uma fusão do seu partido regional com o Partido do Sol Nascente – assim os dois poderiam derrotar o PDJ e o PLD. Até agora, os dois não chegaram a um acordo, mas continuam a negociar.


Alguns analistas políticos preveem o final da era de dois partidos, o PDJ e o PLD, que domina a política japonesa desde 1945. “Essa era já acabou e ficará para trás. O problema é que sabemos que vivemos uma transformação mas não sabemos aonde ela irá nos levar”, disse o cientista político Koichi Nakano, da Universidade Sophia em Tóquio.

Abe foi primeiro-ministro durante um ano, entre 2006 e 2007. Na época, ele deixou o cargo alegando problemas de saúde – os quais afirma terem sido resolvidos. “Eu farei tudo o que puder para acabar com o caos político e a paralisia econômica”, disse Abe nesta sexta-feira.

As pesquisas de intenção de voto indicam que o PLD e a centro-direita japonesa devem vencer as eleições mas não conquistarão uma maioria clara das 480 cadeiras. Isso forçará o PLD a fazer uma coligação com partidos pequenos da centro-direita e direita japonesas.

As eleições e a falta de uma maioria clara dificultam a saída da economia japonesa de uma estagnação que já dura duas décadas. Além disso, atrapalha os trabalhos para a recuperação da região nordeste do país, atingida pelo terremoto seguido de tsunami e desastre nuclear em março de 2011.

Os líderes japoneses precisam planejar uma estratégia contra a crescente dívida pública, que atualmente é mais que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o terceiro maior do mundo após Estados Unidos e China. O Japão também precisará decidir se abandonará efetivamente a energia nuclear até 2040, um decisão tomada por Noda, após o desastre na usina de Daiichi-Fukushima, mas criticada pelo PLD.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones