Premiê eslovaco denuncia complô após assassinato de jornalista

Robert Fico relacionou o assassinato de um jornalista, que investigava vínculos de políticos com a máfia, com um complô para desestabilizar seu governo

Praga – O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, relacionou nesta segunda-feira o assassinato de um jornalista, que investigava vínculos de políticos com a máfia, com um complô para desestabilizar seu governo, no qual incluiu o presidente do país e o milionário americano George Soros.

“Após o assassinato, há uma tentativa de desestabilizar completamente este Estado. É algo indubitável”, disse o politico social-democrata em um pronunciamento à imprensa no qual não aceitou perguntas.

“Por que, em vez de serenar os ânimos, tenta desestabilizar o país, com declarações que não têm nenhuma engrenagem na Constituição?”, se perguntou o premiê, referindo-se ao presidente da Eslováquia, Andrej Kiska.

O chefe de Estado assegurou ontem que o país só poderá superar a crise criada pelo assassinato do jornalista investigativo Khan Kuciak com uma mudança de governo ou eleições antecipadas.

O partido da minoria húngara Most-Hid ameaçou sair do Executivo tripartite se Fico não destituir o ministro de Interior antes de 12 de março.

Fico acusou hoje Kiska de pôr-se do lado de uma oposição que, segundo disse, “fala que é necessário dar um golpe de Estado”.

O premiê social-democrata vinculou esse suposto complô ao empresário e filantropo americano George Soros.

“Pergunto ao presidente o que fazia em 20 de setembro de 2017 em Nova York em um encontro, sem nenhum representante da diplomacia eslovaca, com um homem de má reputação que se chama George Soros”, questionou Fico.

Soros, de origem húngara, é também alvo de permanentes ataques por parte de outros líderes populistas, como o premiê da Hungria, Viktor Orbán, que o acusa de um plano para trazer milhões de imigrantes à Europa em confabulação com a União Europeia.

Fico lamentou hoje que, apesar dos esforços de colaboração internacional com o FBI, a Scotland Yard, a Europol e os serviços de segurança tcheco e italiano, não se tenha encontrado ainda os responsáveis peloo= assassinato do jornalista.

Kuciak, de 27 anos, e sua namorada Martina Kusnirova foram encontrados mortos a tiros na segunda-feira passada de manhã nos arredores de Bratislava e a polícia dá como certo que sua morte está relacionada com as investigações do jornalista.

A morte do repórter, que averiguava possíveis relações entre a máfia italiana e funcionários próximos a Fico, causou uma onda de indignação e protestos na Eslováquia, membro da União Europeia desde 2004.