Premiê de Lesoto volta ao país após tentativa de golpe

Thomas Thabane retornou ao Lesoto após se refugiar na África do Sul, por suposta tentativa de golpe de estado

Johanesburgo – O primeiro-ministro de Lesoto, Thomas Thabane, retornou nesta quarta-feira ao seu país após permanecer quatro dias refugiado na África do Sul por uma suposta tentativa golpista do Exército, a qual forçou sua fuga para África do Sul, informou a televisão sul-africana “SABC”.

Além de Thabane, que viajou em um carro escoltado por forças de segurança sul-africanas, também retornaram o chefe da Polícia, Khothatso T”sooana, e o novo chefe do Exército, Maaparankoe Mahao, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato no último sábado.

No entanto, cerca de 150 oficiais do governo de Lesoto permanecem ocultos em paradeiros desconhecidos devido à insegurança na região.

Segundo os analistas, o líder das Forças Armadas, Tlali Kamoli, seria o principal responsável pelos movimentos militares registrados na madrugada do último sábado.

De acordo com esta versão, Komoli soube dos planos de Thabane para destituí-lo e, por isso, ordenou que seus soldados tomassem os quartéis da Polícia e a residência oficial do primeiro-ministro.

O Exército, que segue sob os comandos de Kamoli, nega ter tentado perpetrar um golpe de Estado.

Segundo sua versão, essa suposta tentativa corresponde a uma manobra realizada para evitar que a polícia fornecesse armas aos seguidores de Thabane enfrentar os manifestantes antigovernamentais que previam se concentrar na segunda-feira.

Desde o início da crise, centenas de policiais se refugiaram na África do Sul, onde denunciaram ataques e outros atos de intimidação por parte do Exército.

O organismo que agrupa os países da região, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizou na segunda-feira em Pretória um ato de compromisso entre Thabane e seu vice-primeiro-ministro, Mothejoa Metsing, para reabrir o parlamento e estabilizar a situação em Lesoto.

Thabane suspendeu em junho a atividade do Legislativo por nove meses para evitar uma moção de censura de seu parceiro de coalizão, Metsing, e do primeiro partido da oposição que teria lhe afastado do poder.

Neste aspecto, Metsing já negou que seu partido queira impulsionar uma moção de censura após a reabertura do parlamento no final deste mês, como está previsto no compromisso de Pretória.

A SADC enviará a Lesoto um mediador e uma equipe de observadores para supervisionar o cumprimento do acordo estipulado na África do Sul.

Após assegurar sua independência do Reino Unido em 1966, Lesoto, que tem dois milhões de habitantes, vivenciou vários golpes de Estado e vários episódios de instabilidade política.

O partido de Thabane governa o país em coalizão com outros dois partidos desde as eleições de 2012, realizadas dentro da normalidade.