Premiê da Dinamarca anuncia eleições antecipadas para setembro

Primeiro-ministro quis antecipar as eleições gerais para votar as reformas anunciadas recentemente por seu governo para reativar a economia do país

Copenhague – O primeiro-ministro da Dinamarca, o liberal Lars Loekke Rasmussen, anunciou nesta sexta-feira a convocação de eleições gerais antecipadas na Dinamarca para o dia 15 de setembro.

Rasmussen justificou o anúncio, esperado há meses, pela necessidade de um novo Parlamento votar as reformas anunciadas recentemente por seu governo para reativar a economia dinamarquesa e que incluem medidas de cerca de 1,45 bilhão de euros.

“Dívida pública descontrolada ou bem-estar durável: essa é a escolha”, afirmou Rasmussen em um pronunciamento à imprensa, ao destacar as alternativas que, em sua opinião, o bloco de esquerda e os partidos pró-governo oferecem, respectivamente.

O premiê dinamarquês defendeu que representa a “estabilidade” e a “responsabilidade” necessárias para manter a confiança dos mercados e fazer com que a Dinamarca continue sendo “um dos países mais seguros do mundo”.

Rasmussen tem agora três semanas pela frente para convencer os eleitores, que segundo apontam todas as pesquisas, parecem inclinados a encerrar o tempo da direita dinamarquesa no poder e passá-lo ao bloco de esquerda, com o Partido Social-Democrata à frente.

Caso ocorra um triunfo social-democrata, Helle Thorning-Schmidt, se tornaria a primeira mulher a chegar à chefia de governo na Dinamarca.

Pela primeira vez em dez anos, parece que a crise econômica e a reforma do estado de bem-estar serão os temas centrais de uma campanha eleitoral na Dinamarca, que sempre foram dominadas pelo tema da imigração.

A ferrenha política de imigração foi a arma da coalizão de liberais e conservadores em 2001 para acabar com o domínio social-democrata e instaurar uma década com o liberal Anders Fogh Rasmussen como primeiro-ministro e o ultradireitista Partido Popular Dinamarquês como apoio externo para proporcionar a maioria.

Fogh Rasmussen deixou seu posto em abril de 2009 para assumir a Secretaria-Geral da Otan e seu posto no governo foi ocupado por Lokke Rasmussen, que enfrenta agora sua primeira avaliação nas urnas.

A convocação de eleições, que deveriam ser realizadas até novembro, era esperada desde junho, quando o governo anunciou um primeiro pacote de reformas.