Porto Rico se declara contra o status colonial da ilha

Opção de acabar com o status atual alcançou 53,99% do apoio popular e a de buscar a anexação aos EUA obteve 61,15% dos votos

San Juan – Os porto-riquenhos votaram pela primeira vez em sua história contra o status de Estado Livre Associado que o vincula com os Estados Unidos e a favor da anexação a esse país como um estado mais, segundo confirmou nesta quarta-feira a apuração de 96,35% dos votos.

A Comissão Estatal de Eleições detalhou hoje que, com essa percentagem apurada da consulta não vinculativa, a opção de acabar com o status atual alcançou 53,99% do apoio popular e a de buscar a anexação aos EUA obteve 61,15% dos votos.

Na consulta os porto-riquenhos responderam duas perguntas: a primeira um ‘sim’ ou ‘não’ a manter o status atual, uma questão que nunca foi colocada dessa maneira.

A segunda, em caso de ter respondido ‘não’ à primeira, deviam escolher entre as opções de independência, anexação ou Estado Livre Associado Soberano, status não completamente definido que se entende como resultado de uma união entre iguais.

Os porto-riquenhos já haviam se pronunciado sobre o assunto nos anos 1967, 1993 e 1998, ocasiões nas quais foram convocados a escolher entre as opções de Estado Livre Associado, independência, anexação, livre associação ou nenhuma das anteriores.

Nas duas primeiras ganhou o Estado Livre Associado, enquanto em 1998 se impôs a opção de nenhuma das opções anteriores.

A consulta coincidiu com as eleições para governador, vencidas por Alejandro García Padilla, cujo Partido Popular Democrático (PPD), defende a continuidade do Estado Livre Associado, status que outorga grande autonomia, mas que reserva a Washington as linhas de defesa, relações exteriores e fronteiras.

García Padilla afirmou sobre o assunto na campanha eleitoral que aposta em aprofundar no presente Estado Livre Associado como a melhor opção política para Porto Rico, o que choca com o resultado da consulta de ontem.

O vencedor do pleito disse ao dirigir-se a seus seguidores durante a celebração da vitória que terá que abordar o assunto, mas não deu detalhes concretos dos passos que seguirá para tratar o assunto com os Estados Unidos.