Polícia mostra falhas em trem que se acidentou na Argentina

"O estado do serviço era ruim e o motorista não trabalhou de acordo com os requerimentos de um serviço em mal estado"

Buenos Aires – A perícia mecânica do trem que se acidentou em fevereiro em Buenos Aires, com um saldo de 51 mortos, revelou que seus freios funcionavam, com a exceção de um de emergência, mas havia erros na manutenção do veículo que representavam um risco para a segurança.

A perícia entregue ao juiz Claudio Bonadío, que investiga a causa, afirmou que o maquinista do trem estava apto para sua função, mas não soube responder perante a emergência apresentada no dia 22 de fevereiro.

“O estado do serviço era ruim e o motorista não trabalhou de acordo com os requerimentos de um serviço em mal estado”, destacou.

No caso pontual do trem acidentado, os peritos não encontraram “evidência objetiva de falhas ou anormalidades que incidissem nas causas do acidente”, mas advertiram que a maior parte das unidades se encontrava com a manutenção atrasada.

“A falta de manutenção preventiva implica, certamente, em um risco na segurança da operação”, afirmaram antes de ressaltar que o sistema de freios funcionava corretamente, com exceção do freio de emergência, que não estava operando.

O acidente aconteceu na movimentada estação de Once, quando a formação, da linha de Sarmiento, se estrelou contra a plataforma de estação em uma hora de intenso fluxo de passageiros.

Na semana passada, o Governo argentino prorrogou pela segunda vez a intervenção da empresa Trens de Buenos Aires (TBA), concessionária do serviço, ordenada seis dias depois da tragédia que causou mais de 700 feridos.

O acidente colocou em destaque o péssimo estado da rede ferroviária e erros nos controles estatais e em medidas de segurança.

O juiz Bonadío admitiu o Estado como autor no processo, mas nos últimos dias um tribunal superior rejeitou esta resolução.

O magistrado convidou 30 pessoas a depor, entre elas os ex-secretários argentinos de Transporte Ricardo Jaime e Juan Pablo Schiavi, que renunciou pouco depois do acidente, diretores da TBA e de organismos de controle ferroviário e policiais.

No meio de duras críticas da oposição e de familiares das vítimas, a presidente argentina, Cristina Kirchner, disse que não terá medo de tomar a decisão necessária com a concessionária TBA, de capital nacional.