Polêmica: o descanso de Trump

Como um mero mortal, Donald Trump volta hoje à labuta após um final de semana de lazer em seu resort de Mar-a-Lago, na Flórida. A viagem, um misto de trabalho e de descanso, veio acrescentar críticas à postura e às contradições do presidente. Até mesmo a organização conservadora Judicial Watch, que monitorava as viagens do ex-presidente Barack Obama, disse que irá requisitar hoje a revelação dos gastos da viagem de Trump.

A ida para o resort, que já é chamado pelo porta-voz do presidente de “Casa Branca de Inverno”, deve ter custado aos cofres públicos cerca de 3 milhões de dólares em esquemas de segurança e transporte, estimam analistas políticos. Até aí, nada demais. A segurança do presidente dos Estados Unidos é realmente cara. Mas Trump enfrenta agora críticas muito parecidas com as que ele mesmo tecia até pouco tempo.

Desde 2011, Trump reclama do presidente Obama por suas férias, que não foram poucas: 28 durante os 8 anos de mandato. “O habitual veranista Barack Obama está agora no Havaí, custando 4 milhões aos pagadores de impostos, enquanto há 20% de desemprego”, escreveu Trump em sua conta no Twitter — a taxa de desemprego à época era de 8,5%. Ao fim do mandato, estava abaixo de 5%. Agora, duas semanas depois de tomar posse, ele faz sua primeira viagem de lazer, polvilhada de um negócio ou evento beneficente aqui e acolá para acalmar os ânimos.

Trump, conforme vem sendo noticiado, está fazendo tudo o que prometeu. Mas também o que não prometeu: em novembro do ano passado ele reafirmou que não tiraria férias da Casa Branca porque “há tanto para ser feito”. Apesar da promessa, após as eleições ele questionou seus conselheiros sobre quantas vezes poderia sair da Casa Branca e voltar para Nova York. Certa vez, Nancy Reagan disse que “presidentes não tiram férias, eles apenas trabalham em outros cenários”. Se Trump planeja mudar o cenário com tanta frequência, os cofres públicos vão sentir o baque.