“Pobre homem!”, disse irmã do Papa sobre responsabilidades

"Quando ouvi a notícia, chorei. Não consegui dizer nenhuma só palavra. Só tenho vontade de abraçá-lo", contou María Elena Bergoglio

Buenos Aires – “É um golpe muito forte, que emoção! Escutar essa multidão gritando: Viva o Papa!…Pobre homem!”, disse nesta quinta-feira María Elena Bergoglio, imaginando seu irmão mais velho, o novo pontífice, saudar na quarta-feira a multidão reunida na Praça São Pedro após sua eleição.

Vestida de maneira sóbria, com um suéter verde escuro e seu cabelo grisalho preso, a mulher aceitou falar a dezenas de jornalistas que esperavam em frente a sua casa em Ituzaingó, um bairro de classe média da periferia oeste de Buenos Aires.

“Quando ouvi a notícia, chorei. Não consegui dizer nenhuma só palavra. Só tenho vontade de abraçá-lo”, contou a senhora, “uma menina de 65 anos”, 11 a menos do que o seu irmão.

Esta diferença de idade faz com que “não possa falar de um irmão com quem brincava, mas sempre foi um parceiro muito presente além das distâncias”, ressaltou.

“Meus sentimentos não estão em ordem em minha mente, porque foi um baque muito forte, um fato histórico”, repetiu.

María Elena afirmou que seu irmão “é muito hermético”, mas que em sua primeira aparição pública, “a expressão de seu rosto mostrava plenitude”.


“Eu nunca pensei que seria Papa. Meu irmão cumpria as suas funções, com responsabilidades crescentes, mas eu nunca acreditei”, confessou.

Questionada sobre o tipo de papado que imagina, ela não soube responder, mas observou que “sabe qual é a sua inclinação: Trabalhar para os pobres, os mais marginalizados”.

“Eu espero que tenha forças. Vamos orar para que o Espírito Santo o fortaleça”, disse Maria Elena, que agradeceu “profundamente esse orgulho, mas esta é uma palavra muito vaidosa, que temos não só como uma família, mas como o povo argentino”.

O novo Papa é o mais velho de cinco filhos, três homens e duas mulheres, fora Maria Elena, os outros três, Alberto, Oscar e Regina Marta, já morreram.