Plutônio detectado no chão da usina de Fukushima

Material radioativo foi encontrado em cinco locais dentrro da central nuclear

Osaka – Vestígios do metal radioativo plutônio foram detectados nesta segunda-feira no solo, em cinco áreas da central nuclear de Fukushima, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo, citando um relatório da empresa Tokyo Electric Power Co (Tepco).

A Tepco acredita que o plutônio veio do combustível de um dos reatores avariados após o terremoto seguido pelo maremoto de 11 de março.

Nesta segunda-feira, água com alto índice radioativo foi detectada nos túneis que passam sob os prédios de contenção dos reatores 1, 2 e 3.

Um porta-voz da Tokyo Electric Power (Tepco) declarou à AFP que a taxa de plutônio encontrada nesses locais era equivalente à detectada no Japão após os testes atômicos realizados em países vizinhos como, por exemplo, a Coreia do Norte.

“As mostras colocaram em evidência a presença de plutônio 238, 239 e 240”, precisou e “a concentração fraca não representa nenhum perigo para a saúde”, acrescentou.

Quatro dos seis reatores de Fukushima Daiichi foram destruídos.

A interrupção nos circuitos de resfriamento do núcleo dos reatores e as piscinas de combustível reciclado e irradiado provocaram um início de fusão das barras (varas) de combustível, que foram seriamente destruídas.

O processo de fusão pôde ser dominado pelos técnicos da Tepco que trabalharam noite e dia, com a ajuda de equipamentos contra incêndio.

Durante entrevista à imprensa na noite de segunda-feira, Haruki Madarame, presidente da Comissão de Segurança Nuclear do Japão, não excluiu a possibilidade de que as barras de combustível do reator 2, que ficaram temporariamente expostas ao clima, tenham sido “destruídas de forma importante”, anunciou a agência de notícias Kyodo.

Substâncias que podem provir do núcleo do reator foram descobertas numa camada altamente radioativa recobrindo o subsolo da sala de máquinas adjacente, assim como num túnel passando no solo e que termina no exterior do prédio, a 60 metros do Oceano Pacífico.

A taxa de radioatividade na superfície desta camada é de mais de 1.000 milisieverts, um nível muito elevado que faz supor que a água contaminada esteve em contato direto com o combustível.

Escapamentos de água radioativa foram também descobertos nas salas de máquinas e em túneis dos reatores 1 e 3.

O reator 3, que teve o teto do prédio de contenção destruído por uma explosão, é o único a conter MOX (mistura de óxidos de plutônio e de urânio) cujos dejetos radioativos são considerados muito perigosos.

No entanto, o plutônio pode também provir de um outro reator funcionando apenas com urânio, porque 30% da energia produzida vem da conversão do urânio em plutônio.