Petrolíferas multinacionais nunca foram tão pressionadas

Com a escalada das cotações do petróleo, crescem as exigências de elevação de impostos e até de expropriação em países como a Bolívia, diz jornal americano

A decisão da Bolívia de elevar impostos sobre as companhias de energia não é uma iniciativa isolada da segunda maior reserva de gás da América Latina. Segundo reportagem do jornal americano The New York Times, até pode soar como um “episódio excepcional de zelo revolucionário traduzido em política energética”. Mas na realidade é apenas o mais recente incidente protagonizado por diversos países produtores de petróleo e gás, tanto latino-americanos quanto de outras partes do mundo. Segundo o jornal, as petrolíferas multinacionais nunca foram tão pressionadas como agora.

Com altas históricas das cotações de petróleo e gás e “a ideologia impulsionando decisões de política pública”, alguns países produtores estão exigindo nacos maiores da prosperidade decorrente da exploração de seus recursos energéticos. A postura mais agressiva chega até mesmo ao cancelamento de contratos de longo prazo.

Além da Bolívia, The New York Times menciona Rússia, Venezuela, Cazaquistão, Nigéria e Argélia, que juntos respondem por cerca de 20% do suprimento global de gás e petróleo mas dependem de companhias estrangeiras e domésticas de capital privado. “Estes países estão endurecendo os termos de negociação”, diz o jornal, “e enviando uma mensagem que repercutiu na indústria em um momento em que a oferta está apertada”. Para representantes de multinacionais, esses novos termos contratuais vão atrasar investimentos.