Peru: a batalha pelos indecisos

Nosso vizinho mais bem sucedido economicamente, o Peru, vai às urnas no domingo. O país, que cresceu 3,3% no ano passado e deve avançar mais 3,7% este ano, está dividido nas ruas. A corrida eleitoral instaurou um cenário de polarização e, caso a candidata de direita Keiko Fujimori vença mesmo as eleições contra o economista Pedro Pablo Kuczynski (PPK), como apontam as pesquisas, o acirramento pode se agravar.

Keiko é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o país de 1990 a 2000 e está preso por corrupção e crimes contra a humanidade. Sua filha, com posições liberais na economia, tem abraçado causas sociais mais conservadoras, declarando ser contra o aborto e o casamento entre homossexuais. Segundo analistas, é uma estratégia para se aproximar de eleitores mais tradicionalistas e ampliar a vantagem em relação a PPK.

Na última terça, mais de 100.000 pessoas foram às ruas para protestar, levantando bandeiras que diziam “Fujimori nunca mais”. O principal objetivo do movimento, há cinco dias das eleições, era ganhar votos para Kuczynski. A última pesquisa realizada no país mostrou que Keiko é a preferida de 46% dos eleitores, contra 39% de seu adversário. Porém, cerca de 15% ainda estão indecisos, e é essa parcela que será decisiva nas urnas.

A esquerda peruana, que passou a apoiar PPK, apoiou a candidata Verónika Mendonza no primeiro turno, que ficou em terceiro lugar com 19% dos votos. A antropóloga também tem se mobilizado contra Keiko e pede que seus eleitores se juntem a PPK. Se a história estiver a seu favor, Keiko será vencedora. No Peru, os segundos colocados nas eleições acabam sendo eleitos quatro anos depois. Keiko perdeu para Ollanta Humala em 2012. O ano de PPK pode ser 2020.