Pentágono rejeita construir instalações para deter imigrantes nos EUA

Revelação ilustra a tensão existente dentro do governo a respeito do uso de recursos militares para fortificar a fronteira contra a imigração ilegal

Washington – O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cogitou usar os militares para construiu instalações de detenção de imigrantes como parte de sua nova missão na fronteira com o México, mas a ideia foi descartada porque o Pentágono expressou dúvidas a respeito, disseram autoridades dos Estados Unidos.

A revelação das autoridades, que falaram sob condição de anonimato, ilustra a tensão existente dentro do governo a respeito do uso de recursos militares para fortificar a fronteira contra a imigração ilegal, uma das principais preocupações do eleitorado do presidente Donald Trump.

Na semana passada os militares anunciaram que mais de 7 mil soldados irão à fronteira com o México agora que uma caravana de imigrantes centro-americanos está rumando lentamente para os EUA. No mês passado, no entanto, os militares rejeitaram um esboço de pedido do Departamento de Segurança Interna para a construção de acomodações para imigrantes detidos em meio a debates iniciais do governo Trump sobre o papel dos militares na fronteira, segundo as autoridades.

Ao manifestar sua oposição, o Pentágono ajudou a garantir que sua missão se resuma a proporcionar apoio a funcionários do governo na fronteira, disseram as autoridades.

De acordo com estas fontes, depois dos debates iniciais sobre a questão não se fez menção a tropas construírem acomodações para imigrantes quando o Departamento de Segurança Interna fez uma solicitação formal ao Pentágono mais tarde pedindo ajuda na fronteira.

Na semana passada Trump disse que planeja erguer barracas para acomodar os imigrantes, que seriam mantidos ali enquanto Washington analisa seus pedidos de asilo. “Montaremos barracas. Elas serão muito boas. Eles esperarão, e se não conseguirem asilo, sairão”, disse Trump à Fox News.

O general Terrence O’Shaughnessy, chefe do Comando Norte dos EUA, que supervisiona a mobilização, disse na semana passada que não existem planos para os militares construírem acomodações para imigrantes. “Os pedidos que temos do Departamento de Segurança Interna e do CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) é para construir (instalações) para apoiar o efetivo do CBP e nosso efetivo militar”, afirmou.

O empenho de Trump para enviar os militares à divisa antecede as eleições parlamentares de meio de mandato de terça-feira e provocou reações fortes – alguns críticos o qualificaram como uma manobra política que faz mau uso dos recursos militares da nação.