Pence vs Kaine: um grande debate?

A política é um palco para os americanos. A prova disso é o tradicional debate entre os candidatos à vice presidência, que acontece na noite desta terça-feira. De cada lado, os vices têm se preparado para uma missão diferente. O senador democrata e ex-governador de Virgínia, Tim Kaine, tem a pressão de manter o bom resultado que Hillary Clinton conseguiu ao vencer o debate presidencial da semana passada. Na outra ponta, o republicano Mike Pence, governador de Indiana, deve se mostrar como uma voz razoável e consciente em uma chapa dominada pela língua afiada e polêmica de Donald Trump.

Com a corrida praticamente empatada — Clinton tem cerca de 48% antes 45% de Trump — nenhuma das missões será fácil. Ambos estão à sombra dos candidatos e tiveram poucos momentos de brilho durante a campanha até agora. Se há uma hora para que os vices se destaquem, então essa hora é o debate de hoje.

Pence e Kaine foram escolhas seguras e marcam a dicotomia famosa do “vice para governar e do vice para ganhar”. Pence é relevante para Trump ao sinalizar seu interesse em manter o bom relacionamento com os republicanos no Congresso, além de sua promessa de que vai se ater aos valores conservadores. Kaine, por outro lado, é importante para reiterar a promessa de Hillary de que só ela pode criar um grande governo de coalizão, além ampliar seu apelo nos estados-chave da região nordeste, conhecidos como Rust Belt.

Historicamente, os debates de vice não têm grande audiência ou apreciação pelo público amplo. Apesar disso, nas duas últimas eleições eles foram significativos. Em 2008, o debate entre o democrata Joe Biden e a republicana Sarah Palin, então uma figura polêmica, bateu o recorde de audiência com 69,9 milhões de espectadores. Em 2012, a performance do vice de Obama, Joe Biden, foi decisiva para a campanha democrata. Em um cenário tão apertado como o atual, tudo leva a crer que teremos outro momento histórico nesta noite.