Pela 27ª vez, Cuba pede à ONU fim dos embargos

Embargado desde a Guerra Fria, o país busca participar mais efetivamente do mercado mundial

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, vai proferir seu primeiro discurso à ONU, e tentar colocar seu país de volta na comunidade internacional. Desde domingo, (23), Díaz-Canel realiza sua primeira viagem aos Estados Unidos, onde participa da Assembleia Geral da ONU. Nesta quarta, será sua vez de utilizar o encontro anual da Organização como palanque para anunciar os interesses de seu país.

O que está em jogo para Cuba, na verdade, diz respeito exatamente ao propósito da ONU: participar de uma ordem mundial, e realizar diálogos e acordos multilaterais. Embargada desde a Guerra Fria – quando a antiga União Soviética disputava influência política e militar com os Estados Unidos -, Cuba quer participar mais efetivamente do mercado mundial.

Esta será a 27º vez que o país pede o fim do embargo comercial imposto pelos Estados Unidos. A mais nova sanção foi realizada no ano passado, pelo presidente americano Donald Trump, que acusava Cuba de realizar uma série de ataques contra a saúde de seus diplomatas em Havana. O governo cubano disse que nenhum ataque aconteceu e que a gestão Trump está usando as acusações como pretexto para escalar sua postura hostil contra a ilha.

“Trazemos a voz de Cuba que, acima de tudo, vem denunciar a política anormal do bloqueio, uma política que já fracassou e continuará a fracassar. É o bloqueio mais longo da história da humanidade”, disse Díaz-Canel ao chegar, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores cubano.

Embora pouca mudança possa acontecer, o presidente cubano já começou a realizar parcerias paralelas às do evento oficial. Ontem, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, aceitou o convite do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, para visitar o país latino-americano. Esta será a primeira visita oficial a Cuba feita por um primeiro-ministro espanhol em mais de 30 anos.

O mais curioso é que enquanto Cuba tenta ativamente embarcar na globalização, o país que criou a ONU, os EUA, faz de tudo para ficar de fora. Ontem, Trump afirmou em discurso preferir o “patriotismo” ao “globalismo”. Canel, por sua vez, tenta tirar a ilha do isolamento.