Partido Trabalhista britânico pede eleições gerais antecipadas

Em protesto neste sábado contra medidas de austeridade do governo, o partido pediu pleito para criar uma "sociedade mais justa e igualitária"

O “número dois” do Partido Trabalhista britânico, John McDonnell, liderou neste sábado uma manifestação em Londres contra as medidas de austeridade do governo do Reino Unido, na qual muitos participantes usavam coletes amarelos em solidariedade ao movimento de protesto que surgiu na França em novembro do ano passado.

Ao término da manifestação, na praça de Trafalgar, McDonnell leu diante da multidão uma mensagem do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, na qual pediu eleições gerais antecipadas para criar uma “sociedade mais justa e igualitária”.

Corbyn disse que seu partido “está preparado para tomar o poder” se o governo da primeira-ministra, Theresa May, perder na próxima terça-feira a votação do seu acordo para a saída da União Europeia (UE).

Se o pacto for rejeitado, os trabalhistas, primeira força da oposição na Câmara dos Comuns, planejam então impulsionar uma moção de censura – se acharem que contam com os votos necessários para ganhá-la -, o que provocaria a saída do governo e a realização eleições.

Milhares de pessoas de diversas idades e procedências, entre elas sindicalistas, participaram da manifestação pelo centro de Londres, organizada pelo grupo contra a austeridade Assembleia do Povo.

A porta-voz deste grupo, Ramona McCartney, disse que a manifestação com coletes amarelos pretende “retomar o espaço político monopolizado pelo ‘Brexit'” e “expressar solidariedade à esquerda e à classe trabalhadora francesa”.

Nos últimos dias, houve também pequenas manifestações nas imediações do Parlamento britânico por parte de elementos de extrema-direita que, em alguns casos, também usavam coletes amarelos.

A Polícia de Londres aumentou a segurança na região depois que alguns deles intimidaram políticos e jornalistas, em meio de um aumento das tensões pelo processo do “Brexit”.

A Scotland Yard informou hoje a detenção de um dos supostos instigadores do assédio, James Goddard, acusado de perturbação da ordem pública por ter chamado de “nazista” a deputada conservadora Anna Soubry, por seu apoio a um segundo referendo sobre a permanência na UE.