Parlamento da Moldávia proíbe foice e martelo de comunistas

"É nosso dever moral condenar os crimes do regime totalitário comunista", disse Mihai Ghimpu, presidente do Partido Liberal

Moscou – O Parlamento da Moldávia condenou nesta quinta-feira os crimes do regime que governou o país na época em que o território fazia parte da União Soviética e proibiu o uso de símbolos do comunismo, ainda usados pelo principal partido da oposição.

Os dois projetos de lei foram aprovados por 56 deputados da situação, que apoiam a Aliança para a Integração Europeia (AIE), enquanto os comunistas, que somam 39 dos 101 parlamentares que compõem o Parlamento moldávio, abandonaram o plenário durante a votação.

“É nosso dever moral condenar os crimes do regime totalitário comunista. Desta maneira, honramos a memória de nossos familiares que sofreram com o regime”, disse Mihai Ghimpu, presidente do Partido Liberal, que faz parte da Aliança.

O Partido Comunista da Moldávia (PCM) é apoiado por quase metade da população moldávia. Nas últimas eleições legislativas, o partido conquistou 42 cadeiras, embora mais tarde três de seus deputados formaram o Grupo Socialista.

Com a nova lei, os comunistas deverão deixar de usar sua histórica identidade, a foice e o martelo, símbolos herdados do Partido Comunista da União Soviética.

“Proibiremos o uso da simbologia comunista, a foice e o martelo, no território da Moldávia”, disse Ghimpu.

O líder do PCM, Vladimir Voronin, lamentou os projetos de lei promovidos pela Aliança e disse que eles são “uma tentativa de tirar a oposição do âmbito constitucional”.

Voronin lembrou que “muitos cidadãos apreciam a simbologia comunista, sob a qual lutaram” na Segunda Guerra Mundial. “Ninguém tem direito a reescrever a história e menosprezá-la. Quem a menospreza depois sofre as consequências. A história tem o costume de se vingar. E essa vingança será muito dolorosa para alguns. Isto já não é Parlamento, é um hospital psiquiátrico”, manifestou Voronin.

O principal partido opositor da antiga república soviética recorrerá da decisão “porque contradiz a lei dos partidos, a Constituição e outras leis”, comentou o líder do PCM.