Parlamento britânico vota emendas e plano B do Brexit

Aprovação das emendas pelos partidos pode encaminhar novo plano para o Brexit. Ou complicar ainda mais o confuso desembarque

O parlamento do Reino Unido vota nesta terça-feira um acordo alternativo para o Brexit. O plano original, elaborado pela primeira-ministra britânica Theresa May, foi duramente recusado pelos parlamentares no dia 15 de janeiro.

Como a maioria do parlamento foi contra o acordo original, os deputados britânicos decidiram apresentar uma série de emendas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) antes de May apresentar o novo acordo. As diversas emendas mostram o desejo dos parlamentares de tomar frente das negociações do Brexit.

As emendas, algumas já apresentadas, serão votadas nesta terça, antes da votação do novo acordo proposto pela premiê. As votações acontecem faltando 2 meses para a saída oficial do Reino Unido da UE, no dia 29 de março.

Entre as emendas apresentadas pelos deputados, que já somam mais de 12, as principais dizem respeito à união aduaneira, à fronteira na Irlanda e a um novo referendo sobre o Brexit. Ou seja: têm potencial para dinamitar o acordo costurado entre May e a União Europeia.

A deputada trabalhista Hilary Benn, por exemplo, apresentou uma emenda solicitando que o governo realize votações que comprovem qual opção tem maior apoio na Câmara, como uma votação de um Brexit sem acordo ou de um segundo referendo.

Já Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, opositor de May, pede a negociação de uma nova união aduaneira entre o Reino Unido e a UE. Stella Creasy, também do Partido Trabalhista, propõe que o governo britânico peça à Europa um adiamento do Brexit por um tempo indeterminado e dê à população mais voz para o processo.

O Partido Conservador, de May, tem outra enorme leva de demandas. Nem todas as emendas, entretanto, serão votadas pelo parlamento.

A seleção de quais passarão pelo pleito será feita pelo presidente a Câmara dos Comuns, John Bercow, na manhã da terça-feira. As emendas votadas também precisam de apoio de deputados de todos os partidos. E qualquer alteração ao plano pode ser vetada pela União Europeia. A dor de cabeça de May não tem solução à vista.