Parlamento britânico se reúne após vitória conservadora

John Bercow foi reeleito presidente da Câmara sem oposição e cumprindo o trâmite teatral de ser fisicamente levado ao seu assento de comando

Londres – O Parlamento britânico com mais homossexuais, mulheres e minorias étnicas da história, formado nas eleições de 7 de maio, reuniu-se nesta segunda-feira pela primeira vez após a vitória conservadora.

John Bercow, que já foi presidente da Câmara na legislatura anterior, foi reeleito sem oposição e cumprindo o trâmite teatral de ser fisicamente levado ao seu assento de comando.

Este costume existe porque o presidente, literalmente o porta-voz (speaker), era quem transmitia aos monarcas a opinião dos deputados e era o primeiro a sofrer a ira dos reis, inclusive com sua vida.

A reeleição do presidente da Câmara dos Comuns ocorreu sob a supervisão do trabalhista Gerald Kaufman, o novo “pai da Câmara”, título concedido à pessoa que atua há mais tempo como deputado (desde 1970).

O primeiro-ministro David Cameron, líder da bancada conservadora, comemorou porque “a Câmara agora é mais diversa e representativa do que nunca”, colocando como exemplo o número de mulheres, a eleição do primeiro deputado de origem chinesa ou a primeira deputada de origem indiana.

Cameron enviou uma mensagem aos muitos deputados nacionalistas escoceses: “Temos nossas divergências, mas espero que este seja um Parlamento para toda a nação. A tarefa que temos diante de nós é nos unirmos para garantir que nossa economia funcione para todos, em qualquer canto do Reino Unido”.

A trabalhista Harriet Harman ocupa a oposição de líder da oposição desde a renúncia de Ed Miliband e até que o segundo partido nacional eleja seu novo líder, em setembro.

Harman também comemorou o aumento de mulheres na Câmara. “Agora há muito mais mulheres deputadas. Quando fui eleita, em 1982, éramos apenas 3%, agora somos quase 30%”.

Os 650 deputados e mais de 800 membros da Câmara dos Lordes começaram a prestar juramento, primeiro em inglês e depois, se desejassem, em gaélico escocês, córnico (a língua da Cornualha, região do sudoeste da Inglaterra) e galês.

O gaélico escocês será muito ouvido nesta ocasião graças à presença impressionante de 56 deputados do Partido Nacional Escocês (SNP), a terceira força da câmara baixa.

Nesta segunda-feira, a rainha Elizabeth II fará seu discurso anual no Parlamento, um texto preparado pelo governo no qual são esboçadas as linhas gerais de atuação do próximo período e cujo conteúdo é debatido e votado pelos deputados.

– Mais diversidade, menos que na sociedade –

Um em cada três deputados (29%) são mulheres, ou seja, 191 do total de 650. O número é um salto em comparação com os 22% da câmara anterior e dos 20% da que a precedeu.

A proporção difere entre os partidos: 43% dos deputados trabalhistas são mulheres, uma porcentagem que cai a 36% no caso dos nacionalistas escoceses ou a 21% entre os conservadores do primeiro-ministro David Cameron.

Os deputados negros ou de minorias étnicas são 6,6% da câmara – 42 deputados – um número superior aos 4,2% da câmara anterior, mas que está longe dos 14% da sociedade.

Já no caso dos homossexuais o número é similar. Trinta e dois deputados, 4,9% da Câmara, se identificam abertamente como gays, seis a mais que na legislatura anterior, e perto da proporção de 5-7% dos britânicos.

Doze destes deputados são conservadores, 13 trabalhistas e os outros do SNP.

“O Reino Unido tem o Parlamento mais homossexual do mundo”, afirma o jornal The Guardian.