Parlamento Árabe denuncia aumento de abusos a mulheres

Documento acusa principalmente os membros do Exército e das forças de segurança sírias pelos abusos, assim como os chamados ''shabiha'' (pistoleiros do regime)

Cairo – O Parlamento Árabe denunciou nesta sexta-feira que os abusos a mulheres aumentaram na Síria desde o início da revolta contra o regime de Bashar al Assad em março de 2011.

Segundo o relatório ao qual a Agência Efe teve acesso, esta instância consultiva da Liga Árabe documentou pelo menos 25 casos de agressões sexuais contra mulheres em diferentes regiões do país.

O documento acusa principalmente os membros do Exército e das forças de segurança sírias pelos abusos, assim como os chamados ”shabiha” (pistoleiros do regime).

”O fato de que os jovens tenham conseguido armas e controlem ruas e bairros inteiros lhes transformou em autoridade absoluta acima das mulheres”, afirma o relatório.

O Parlamento Árabe lamenta que ”na Síria a autoridade do Estado de direito esteja se perdendo e reine o poder das armas”, o que obriga as mulheres a ”se submeter a uma autoridade que não é controlada pela lei”.

Além dos abusos, o texto indica um aumento geral das práticas que humilham as mulheres e dos riscos e responsabilidades que elas assumem.


Neste sentido, o relatório explica que ao participar das manifestações opositoras as mulheres correm o perigo de ser detidas, e como consequência da detenção ou morte dos homens da família devem ocupar o papel deles.

O relatório foi elaborado com investigações próprias desta instância da Liga Árabe, e recolhe também testemunhos de algumas vítimas feitos a vários meios de comunicação.

Este assunto será tratado pelo Parlamento Árabe em reunião na próxima terça-feira, 15 de maio, na qual analisarão a evolução do conflito na Síria, onde, segundo as Nações Unidas, morreram mais de 10 mil pessoas desde o início da revolta.

O Parlamento Árabe, criado em 2005, é um órgão de caráter consultivo que se encarrega de supervisionar a aplicação das resoluções das cúpulas árabes. Cada um dos 22 países-membros está representado por quatro parlamentares.