Parlamentares pedem bloqueio de bens e interventor na Delta

Apesar da empreiteira ser um dos principais alvos de investigação da CPI, os membros da comissão ainda não aprovaram requerimentos de quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico

Brasília – Parlamentares que integram a CPI que investiga os laços do empresário Carlinhos Cachoeira com empresas e políticos pediram à Justiça nesta quinta-feira o bloqueio imediato de bens da construtora Delta, a nomeação de um administrador judicial para a companhia e o impedimento de mudanças societárias na empreiteira.

Incomodados com o que consideram uma demora da comissão em tomar providências em relação a construtora, os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), além do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), também pediram ao juiz Jamil Rosa de Jesus Oliveira, da Justiça Federal de Brasília, que impeça a empresa de fazer movimentações financeiras que não sejam essenciais à continuidade de contratos vigentes.

“A CPI está demorando para tomar as providências. A União também já deveria ter tomado essas providências. Quais providências? A indisponibilidade dos bens da Delta, a nomeação de um interventor judicial para que ela, a Delta, não paralise as obras e para que mais de 30 mil empregados não fiquem sem sua colocação no mercado”, argumentou Taques.

Apesar da empreiteira ser um dos principais alvos de investigação da CPI, os membros da comissão ainda não aprovaram requerimentos de quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico da Delta em nível nacional. Apenas os dados da unidade Centro-Oeste foram pedidos.


Só na reunião do próximo dia 29 é que haverá deliberação sobre o pedido de quebra do sigilo nacional.

Os parlamentares citam ainda na ação que os levantamentos realizados pelos órgãos de controle revelam inúmeros atos lesivos ao patrimônio público tais como superfaturamentos, sobreposição de contratos, irregularidades na execução e aditivos ilegais.

Uma das linhas de investigação da CPI tenta comprovar que o empresário Carlinhos Cachoeira era sócio oculto da construtora e a usava para lavar dinheiro obtido com a exploração de jogos ilegais.

No início deste mês a J&F, holding que controla o frigorífico JBS, anunciou acordo para assumir a Delta, o que gerou críticas de parlamentares e levou o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro a abrir inquérito para investigar a transação.

Segundo o MPF, se concretizado, o acordo pode colocar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem participação no JBS, numa situação de participar de uma empresa suspeita de irregularidades.

A Delta, recordista de contratos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é alvo de um processo na Controladoria Geral da União (CGU), que pode resultar na declaração de inidoneidade da empresa, o que a impediria de firmar contratos com a administração pública.

Desde que as denúncias começaram, a Delta deixou obras nas quais participava de consórcio com outras empreiteiras e vem sofrendo pressão para abandonar empreendimentos estatais que toca sozinha.