Para Putin, “tanto faz” se russos interferiram nos EUA

Putin, que voltou a negar ter ordenado uma interferência, lembrou que a Rússia só pode processar aqueles que tenham violado as leis russas

Moscou – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou neste sábado que “tanto faz” se cidadãos russos forem condenados por ingerência nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos.

“Absolutamente tanto faz. Eles não representam os interesses do Estado russo”, disse Putin à rede de televisão americana “NBC” em entrevista divulgada pelo site do Kremlin.

Putin, que voltou a negar ter ordenado uma interferência nas eleições americanas, lembrou que a Rússia só pode processar aqueles que tenham violado as leis russas.

O procurador especial que investiga a suposta ingerência russa, Robert Mueller, apresentou acusações contra 13 cidadãos e três grupos russos, e também contra ex-assessores do presidente dos EUA, Donald Trump, como seu chefe de campanha, Paul Manafort.

“Pode ser que não sejam russos, pode ser que sejam ucranianos, tártaros, judeus, simplesmente com cidadania russa. E isso também é preciso ser comprovado. Pode ser que tenham dupla cidadania ou permissão de residência, e pode ser que os americanos lhes pagassem por esse trabalho”, declarou Putin.

O chefe do Kremlin considerou “impossível” interferir nas eleições dos EUA e pediu a Washington para enviar os correspondentes documentos à Promotoria russa.

“Não vejo que objetivos poderíamos ter alcançado com essa ingerência. Não há objetivos. Tentemos pensar qual poderia ser o objetivo. Para quê? Pela própria ingerência?”, questionou.

Putin lembrou a recente declaração de Trump de que “se a Rússia tivesse planejado o objetivo de provocar o caos, teria conseguido”.

“Mas isso ocorreu não devido à nossa interferência, mas ao sistema político de vocês, às lutas internas, às turbulências e às contradições. A Rússia não tem nada a ver com isso”, insistiu.

O presidente russo também tachou como “mentira podre” a cusação de que interferiu nas eleições americanas para punir a então candidata Hillary Clinton por apoiar os protestos de opositores contra a suposta fraude nas eleições parlamentares russas de 2011, quando era secretária de Estado.