Para Patriota, nacionalização da YPF é ”decisão soberana”

Antonio Patriota e Alfredo Moreno, ministro das Relações Exteriores do Chile, concordam que decisão do governo argentino não afetará as relações entre países

Brasília – Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e do Chile, Alfredo Moreno, afirmaram nesta quarta-feira que a decisão do governo argentino de expropriar 51% da companhia petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, não afetará as relações entre a América Latina e a Europa.

”Não acho que isso terá efeitos na América Latina”, já que ”os mercados são muito sofisticados e diferenciam o que se passa em diferentes países”, afirmou Moreno em entrevista coletiva realizada ao lado de Patriota.

Os dois chanceleres se reuniram hoje em Brasília. Moreno não quis comentar sobre a decisão argentina, mas afirmou que ”a participação do setor privado na economia sempre é muito positiva”.

Patriota, por sua parte, também considerou que a nacionalização da YPF é uma ”decisão soberana” do governo da presidente Cristina Kirchner, sobre a qual o Brasil não se pronunciará.

O chanceler brasileiro negou que existam temores em relação às empresas brasileiras que operam na Argentina. No entanto, Patriota explicou que as dúvidas que possam existir serão esclarecidas nesta sexta-feira, quando o ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, visitará Brasília.

Segundo fontes oficiais, De Vido se reunirá com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e a presidente da Petrobras, Graça Foster, para discutir os negócios da companhia brasileira na argentina.

Os maiores ativos da empresa no exterior estão no país vizinho, no qual a companhia atua por meio de sua subsidiária Petrobras Argentina.

A maioria dos ativos foi adquirido em 2002 do grupo Pérez Companc e estão concentrados em postos de combustível e campos de exploração nas províncias de Neuquén, La Pampa e Chubut.

No mês passado, as autoridades de Neuquén cancelaram a concessão para operação da Petrobras em Neuquén alegando que a companhia não investiu na região como o previsto.