Para Opaq, Síria deve acelerar desarmamento químico

Organização para a Proibição de Armas Químicas alertou a Síria para que retome o ritmo do envio de seu estoque de armas químicas

Haia – A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) alertou a Síria nesta sexta-feira para que retome o ritmo do envio de seu estoque de armas químicas, depois que o regime perdeu um dos prazos para se desfazer do arsenal.

“A necessidade do processo de restabelecer o ritmo é óbvia”, declarou o diretor-geral Ahmet Uzumcu, depois de uma reunião do comitê-executivo da organização, na quinta-feira, em Haia.

Fontes afirmaram que a sessão foi dividida entre os países ocidentais, que querem uma abordagem severa com a Síria, e aliados do país, como a Rússia e a China, que preferem um tratamento brando.

Só dois carregamentos de armas químicas saíram da Síria, o que não chega a 4% do arsenal declarado pelo governo, segundo declarou os Estados Unidos nesta semana.

Cerca de 700 toneladas do arsenal deveria ter saído da Síria em 31 de dezembro, o que não ocorreu, atrasando o planejamento do ambicioso programa de desarmamento.

O governo sírio informou à OPAQ que está “fazendo esforços intensivos para se preparar e acelerar o transporte das armas, e que no momento está trabalhando num cronograma para completar o envio”.

O Conselho de Segurança da ONU apoiou, no ano passado, um acordo entre Estados Unidos e Rússia para eliminar o enorme arsenal químico sírio, como uma maneira de evitar um ataque americano, cogitado depois que um ataque biológico foi atribuído ao regime.


Mas Washington acusou na quinta o governo sírio de estar adiando o processo intencionalmente.

“Praticamente nenhuma das armas de máxima prioridade forai removida, e o governo sírio não vai se comprometer com um cronograma específico”, disse Robert Mikulak, chefe da delegação americana na OPAQ.

Ele refutou a explicação de que o atraso ocorreu por questões de segurança e necessidade de novos equipamentos,.

“O equipamento pedido pela Síria não é necessário para o transporte das armas químicas em segurança”, declarou Mikulak ao conselho executivo da organização.

“Esses pedidos não tem fundamento, e mostram mais uma ‘mentalidade de barganha’ do que um pensamento na segurança”, afirmou.

A Síria declarou 700 toneladas das armas mais perigosas, 500 toneladas de armamento menos perigoso, e 120 toneladas de isopropanol.

A maioria do arsenal deve ser destruído até o dia 5 de fevereiro, enquanto o isopropanol deve ser eliminado pelo próprio governo até 1 de março.

Segundo fontes da OPAQ, esses prazos provavelmente não serão cumpridos. A próxima reunião do comitê-executivo será no dia 2 de fevereiro.

O governo do presidente Bashar al-Assad tem combatido rebeldes há quase 3 anos, depois de uma resposta violenta aos protestos por democracia, que começaram em março de 2011.