Paquistão pede na ONU fim de ataques de drones

País renovou seu pedido pelo fim dos ataques a seu território de aviões não tripulados americanos

Nações Unidas – O Paquistão renovou, nesta sexta-feira, seu pedido na ONU pelo fim dos ataques a seu território de aviões não tripulados (“drones“) americanos.

Nessa mesma sessão, dois especialistas das Nações Unidas fizeram um apelo à organização por mais transparência no uso desses equipamentos.

“No Paquistão, todos os ataques de ‘drones’ são um assustador lembrete de que ataques de represália por parte de terroristas estão na esquina”, declarou o embaixador do Paquistão na ONU, Masood Khan, na Assembleia Geral.

Depois de um telefonema do primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, ao presidente americano, Barack Obama, na quarta-feira, Khan afirmou que os civis têm sofrido mortes “desumanas”, e que os ataques “radicalizaram” a opinião pública em seu país.

“Pedimos o fim imediato dos ataques de ‘drones’ dentro das fronteiras territoriais do Paquistão”, afirmou Khan.

“Esperamos que os Estados Unidos respondam a esse urgente apelo do Paquistão, ancorado no Direito Humanitário Internacional”, acrescentou.

Obama se recusou a comentar os ataques de “drones” americanos depois da conversa com Sharif, na quarta-feira.

Um diplomata americano presente na sessão da ONU destacou um discurso feito por Obama em maio passado, no qual o presidente afirmou que os ataques de aviões não tripulados contra a Al-Qaeda e os talibãs são “necessários, legais e justos”.

A mesma fonte disse ainda que o governo americano está dando “particular atenção” ao informe do relator especial da ONU para Contra-Terrorismo e Direitos Humanos, Ben Emmerson.

No encontro da ONU, Emmerson instou os EUA e outros países que também recorrem a esses aviões não tripulados que divulguem as justificativas para seu uso, assim como “os dados sobre o nível de vítimas civis causadas pelo uso dos ‘drones'”.

Em seu relatório, Emmerson informa que, segundo o Paquistão, 400 das 2.200 vítimas dos ataques de “drones” na última década eram civis.

Já o relator especial da ONU para Execuções Arbitrárias e Extrajudiciais, Christof Heyns, afirmou que os “drones” não são “intrinsecamente armas ilegais”. Ele acrescentou, contudo, que é preciso haver uma atenção maior aos “drones” diante da disseminação de seu uso.

“Um mundo, no qual múltiplos Estados usam essas armas em sigilo, é um mundo menos seguro”, disse Heyns na sessão.